Mostrando postagens com marcador Machado de Assis. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Machado de Assis. Mostrar todas as postagens

12 de março de 2012

Sobre a Minissérie

Como podemos dar um ponto final e definitivo em uma obra aberta?
Hoje terminei de assistir a minissérie Capitu A Vida é uma Ópera!
E qual é a minha conclusão? qual é? a minha conclusão?
Poderia escrever mil pilhérias, redigir uma tese defendendo ou alegando as atitudes de cada personagem do enredo, porém, não farei nada disso nesse tempo percorrido para digerir tudo o que vi e li.
Mas, afinal há alguma conclusão?
A conclusão é tão simples que a esquecemos, Machado de Assis é fascinante!
Ah! Seria insensatez terminar esse post sem dizer sobre a pergunta que nos assombra durante mais de um século, Capitu traiu ou não Bentinho?
No livro estava certa de que Bentinho é um velho solitário e amargurado, queria apenas escrever suas reminiscências por não esquecer de seu amor da juventude. Acusava injustamente Capitu por atitudes que ele achou serem sinais de algum aparente adultério, sendo estas invenções de sua imaginação fértil.
Na Minissérie a dúvida pairou-me novamente, será que Capitu não poderia tê-lo traído?
A interpretação de Michel Melamed emocionou-me tanto que fez-me ver o ponto de vista de Bentinho com uma maneira tão lúdica e graciosa que o aceitei.



Traiu ou não traiu?
Eis a questão!

11 de março de 2012

O Casmurro

Um dos grandes clássicos da literatura nacional, Dom Casmurro revela todo o talento de Machado de Assis na análise psicológica dos personagens e na criação de um clima de incerteza e ambiguidade.
Esta obra gira em torno do possível adultério da personagem Capitu, dividida em 148 capítulos curtos a narração passa-se entre o ano de 1857 a 1885.
O narrador-personagem conta os fatos de sua vida "O meu fim evidente era atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescência." (II)
Como a história é narrada pelo próprio personagem que vive os fatos, apresenta-se somente um ponto de vista, que este faz favorecendo-se e usando ironias ao retratar os demais personagens.

Traços Tipicamente Machadianos

Machado de Assis utiliza características peculiares em sua escrita, sendo estas usadas também por outros autores em seus livros, no romance Dom Casmurro há importantes observações a serem feitas:
  • Por ser um livro de memórias, a narrativa não segue uma ordem cronológica, é contada a partir das principais lembranças do narrador-personagem.
"Fiquei tão alegre com esta ideia (de escrever um livro), que ainda agora me treme a pena na mão. Sim, Nero, Augusto, Massinissa, e tu grande César, que me incitas a fazer os meus comentários, agradeço-vos o conselho, e vou deitar ao papel as reminiscências que vierem vindo." (II)
  • Em  muitas passagens o leitor é convidado a refletir com o narrador sobre a atitude de determinados personagens, há uma conversa com o leitor.
"Abane a cabeça, leitor; faça todos os gestos de incredulidade. Chegue a deitar fora este livro, se o tédio já o não obrigou a isso antes; tudo é possível, Mas, se o não fez antes e só agora, fio que tome a pegar do livro e que o abra na mesma página, sem crer por isso na veracidade do autor." (XLV)
  • A metalinguagem, recurso que é utilizado no trecho a seguir: 
"Aqui devia ser o meio do livro, mas a inexperiência fez-me ir a trás da pena, e chego quase ao fim do papel, com o melhor da narração por dizer. Agora não há mais que velá-la a grandes pernadas, capítulo sobre capítulo, pouca emenda, pouca reflexão, tudo em resumo. Já esta página vale por meses, outras valerão por anos, e assim chegaremos ao fim." (XCVII - A Saída)
  • Machado tem uma fascínio pela velhice, esta obra é contada por um velho solitário avaliando a sua existência, ao decorrer do livro analisa de uma modo racional e irônico tudo o que ocorreu em sua vida.

Este livro datado de 1899 teve como certa a traição de Capitu até os meados da década de 1950, a partir dos anos 1960, uma escritora americana fez um estudo nomeado de O Otelo Brasileiro de Machado de Assis.
Nesta crítica a obra, a autora Hellen Caldwell consiste em responder duas questões:             
" Capitu é culpada do adultério? "                                                                                                 " Por que o romance é escrito de tal forma a deixar a questão da culpa ou inocência de Capitu para decisão do leitor? "

Por não ter um final esclarecido, fica-se a dúvida em cada leitor se houve ou não a traição de Capitu, um dos pontos interessantes desta obra aberta é o fato de mudarmos de opinião dependendo da época, momento em que o lemos.
Neste momento eu dou como certa que não houve a traição, porém se reler o livro alguns anos adiante. poderei ter outras conclusões, aceitar o ponto de vista de Bentinho, no qual houve a traição.

Olhos de Ressaca

Diria ser automático ao falar dos Olhos de Ressaca lembrar de Capitu, esta metáfora redigida primeiramente pelo agregado José Dias ressalta o olhar de cigana oblíqua e dissimulada. 
A segunda citação dessa característica de Capitu é feita nos últimos capítulos referindo-se a ressaca do mar, isto é, a maneira descrita pelo narrador-personagem do olhar que Capitu atirou sobre o defunto em seu leito de morte.

Capítulos a serem revistos: A Vida é uma Ópera, Uma Reforma Dramática.

Personagens:

Antes de apresentar as características dos principais personagens, destacamos que no livro há somente um ponto de vista, e este descreve todas as singularidades a seguir, sabendo que a veracidade apresentada pode não ser fielmente exposta:

Bento Albuquerque Santigo, ou simplesmente Bentinho - O narrador-personagem, pode ser definido em sua juventude e na velhice:
Juventude: tímido, sem iniciativa. dominado e dependia da mãe, "menos homem, do que Capitu era mulher".
Velhice: advogado, viúvo, solitário, ex-seminarista, amargurado, irônico,  apesar de sempre ter tido recursos financeiros, e valorizava muito isto, é desconfiado e paranoico pelo amor.
Capitu - esta é uma personagem que temos somente o retrato feito pelo marido, definida como esperta, maliciosa, dissimulada, uma figura ambígua, Bentinho diz que ela sempre foi assim.
Escobar - teve uma relação muito próxima com Bentinho o conheceu no seminário, como ambos não tinham nenhuma vocação eclesiástica, seguiram rumos diferentes que o foram propostos ao entrar no seminário, porém a amizade durou anos. Escobar tinha vocação aritmética, adorava os números e tornou-se homem de negócios.
Sancha - amiga de Capitu, casou-se com Escobar, as relações entre os dois casais, Bento e Capitu, Escobar e Sancha eram bastante próximas.

Agora vamos a família de Bentinho:

Dona Glória - viúva e mãe de Bentinho, uma poderosa matriarca egoísta.
José Dias, o Agregado - um personagem típico da época, charlatão, amava os superlativos e era como pagem de Bentinho.
Tio Cosme - desde que enviuvou vivia em casa de Dona Glória, adorava jogar gamão, vez ou outra dizia pilhérias.
Prima Justina - A terceira da casa dos três viúvos.



Afinal, querido leitor, Capitu traiu ou não traiu Bentinho?

Créditos:

http://www.curso-objetivo.br/vestibular/atualidades_online4.aspx

Obra Completa:


Minissérie: Capitu A Vida é uma Ópera


Se preferir também poderá baixar a minissérie pelo torrent clicando no link:



11 de fevereiro de 2012

Ao Cinema Brasileiro

Simplesmente magnifica a adaptação do livro Memórias Póstumas de Brás Cubas a um filme, grandes interpretações e um enredo fantástico.
Reviver as peripécias deste defunto-autor foi bastante espirituoso, a vida deste personagem literário que já lhe dediquei especialmente um post.
A adaptação ficou bastante viva e dedicada a obra, certamente por meio da leitura dá-se uma quantidade maior de informações sobre os personagens e a estória propriamente dita, mas vale-se a pena apreciar este filme.
Esta obra que lera fez-me regressar ao maravilhoso mundo da leitura, não seria insensatez dizer que esta foi um marco nesses novos tempos de minha breve vida.
Ao post dedicado sobre o livro, escrevo este sobre o filme, farei uma relação entre a releitura feita pela sétima arte.
Reginaldo Faria interpreta o nosso protagonista Brás Cubas, uma das melhores interpretações que já vi, fez como se fosse o próprio é admirável este ator.
Se ainda não vistes o post que dediquei especialmente sobre Brás Cubas clique aqui.
Há várias informações sobre a Obra e se ficou interessado em assistir ao filme lhe dou duas sugestões, poderá assistir no youtube...


...Ou se preferir poderá baixar pelo programa Torrent acessando o seguinte link

http://www.4shared.com/file/G1AWfXMa/Memorias_Postumas_de_Bras_Cuba.html

E para terminar gostaria de parabenizar ao Cinema Brasileiro e ao Machado de Assis por nos proporcionar verdadeiras obras.


9 de dezembro de 2011

O defunto-autor

Memórias póstumas de Brás Cubas é a obra que marca o inicio do Realismo Brasileiro, Machado de Assis é o nome do autor deste livro que nos faz reviver as memórias de um defunto, que conversa conosco ao decorrer do livro, nos faz refletir e não existe, explicando melhor você conversa com um morto que nunca existiu, isso não é fantástico? A literatura nos guia a caminhos nunca antes imaginados e surpreendentes.
Há um pequeno detalhe que não posso deixar que passe em branco, quando escrevi que Memórias Póstumas de Brás Cubas marca o início do Realismo no Brasil é da seguinte maneira: 
DOIS TIPOS DE REALISMO
O chamado Realismo na Literatura brasileira compreende duas manifestações literárias muito diferentes, ambas marcadas pela oposição à tendência idealizante do Romantismo e pela atitude crítica em relação à sociedade.                De um lado temos o Realismo propriamente dito, ou Realismo Psicológico, inaugurado por Memórias Póstumas de Brás Cubas; de outro, o Realismo-Naturalismo, cujo marco inicial é o romance O Mulato, também de 1881, de Aluísio Azevedo (1857-1913).     A obra mais importante do Realismo-Naturalismo é O Cortiço, de Aluísio Azevedo, editado em 1890. No livro de Azevedo, a trama desenvolve-se em uma habitação coletiva do Rio de Janeiro, onde vivem e circulam operários, prostitutas e personagens das mais variadas classes sociais. A composição desses tipos e do enredo tem a intenção de descrever objetivamente a vida de uma determinada sociedade e retratar seu funcionamento. O Realismo-Naturalismo é cientificista e determinista, considerando que as ações humanas são produtos de leis naturais: do meio, das características hereditárias e do momento histórico. Já o Realismo Psicológico de Machado de Assis despreza tanta objetividade. O escritor concentra sua narrativa na visão de mundo de seus personagens, expondo suas contradições. A classificação mais adotada para definir a escola literária a que pertence Machado de Assis na segunda fase de sua obra é Realismo Psicológico. O recurso que ele utiliza para discutir a sociedade é a abordagem, em profundidade, da individualidade e do caráter dos personagens. 

Prossigamos, este é o primeiro livro de Machado de Assis que eu li, certamente não é o conhecidíssimo Dom Casmurro mas não te esqueças, estamos falando de Machado de Assis e se tu achas que este homem fora apenas um mero escritor, estás completamente enganado.

Não há uma ordem cronológica neste romance, M. de A. ressalta no prólogo na quarta edição perguntado se este livro é um romance "sim e não, era romance para uns e não o era para outros" sobre a ordem cronológica destaca no primeiro capítulo "Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo."(I)

Lembre-se que há 2 Brás Cubas no livro o morto e o vivo, o morto que descreve as dissertativas, franco (não preocupa-se em estar certo ou errado, ele já está morto) "advirto que a franqueza é a primeira virtude de um defunto " (XXIV), sarcástico, irônico e observador. O vivo está apenas nos diálogos usados ao decorrer do livro.

Alguns dos principais capítulos do livro são: O emplasto, O delírio, Coxa de nascença, O embrulho misterioso, O velho diálogo de Adão e Eva, O vergalho e das Negativas. 
Naturalmente estes são os considerados mais importantes mas aqui entre nós o livro inteiro é uma pérola.

"Por que bonita, se coxa? por que coxa, se bonita?"(XXXIII) Este enigma que Brás Cubas tenta desvendar no capítulo posterior ao de Coxa de nascença é sobre a Eugênia ser coxa (manca), Eugênia era filha ilegítima de um amor entre dois amantes, o nome Eugênia significa bom gene. a bem nascida. Para Brás Cubas uma mulher bonita jamais poderia ser coxa deveria ser feia mas Eugênia era bonita e coxa, eles não ficaram juntos diria por orgulho deste Brás Cubas, achava-se superior (socialmente) e jamais um Cubas poderia casar-se com uma coxa, isto seria o pior. Ele chega a dizer isto "Tu, minha Eugênia, é que não as descalçaste nunca; foste aí pela estrada da vida, manquejando da perna e do amor, triste como os enterros pobres, solitária, calada, laboriosa, até que vieste também para esta outra margem... O que eu não sei é se a tua existência era muito necessária ao século. Quem sabe? Talvez um comparsa de menos fizesse patear a tragédia humana." (XXXVI).

Em diversos trechos do livro são feitas algumas citações de vários escritores como, Shakespeare, Virgílio, Sêneca e inclusive é usado algumas escrituras bíblicas.
Uma das minhas citações favoritas é a do capítulo Na Tijuca, "Que bom é estar triste e não dizer coisa nenhuma" Shakespeare.

Personagens:

Brás Cubas: O protagonista deste romance, vivo e morto, fofoqueiro, cínico, amante...
Marcela: Foi nesta "linda Marcela" que Brás deu seu primeiro beijo, ela prostituta espanhola, amou Brás por "15 meses e 11 contos de réis". Viva o Amor!
Virgília: Seria esposa do Brás se ele não fosse tão vagaroso, perdeu pro Lobo Neves (esposo da Virgília) e depois viveram algumas aventuras.
Eulália: quase casou-se com o Brás, filha do coronel Damasceno que gostava de uma briga de galo.
Essas 3 foram as mulheres de Brás Cubas.

Luís Cubas: papai do Brás "tinha é verdade uns fumos de pacholice; mas quem não é um pouco pachola neste mundo?" (III), queria ver o filho casado e politico mas morreu o mesmo aconteceu com a sua mãe quando ele Volta ao Rio (XXII).
Sabina: Irmã do Brás.
Cotrim: Cunhado do Brás, lucro era tudo para ele ("Os fins justificam os meios" Lembras tu de Maquiavel?)
Dona Plácida: uma senhora que recebeu um embrulho misterioso do Brás em troca de silêncio e lealdade.
Prudêncio: ex-escravo da família dos Cubas, quando criança Brás fazia-o de cavalinho, quando conquistou a sua liberdade comprou um escravo por desejo de vingança , na tentativa de repetir com outra pessoa o que ele próprio sofreu, este personagem mostra a situação entre opressor e oprimido.
Quincas Borba: Amigo de infância de Brás, mendigo, filósofo, criador de um sistema filosófico adotado diria pelo Brás.

O livro pode ter sido publicado pelos anos de 1880, "Não acreditava que ele tivesse vivido numa época tão distante. Você pensaria que foi escrito ontem. É tão moderno e prazeroso. É uma obra muito, muito original."

Créditos: 


http://fredb.sites.uol.com.br/mpbc.html

http://www.curso-objetivo.br/vestibular/atualidades_online2.aspx

Obra Completa:

http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bn000167.pdf

Filme Completo:

http://www.youtube.com/watch?v=badOiExoMKk