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16 de julho de 2016

Presenciamos um holocausto sim!

O quanto nós brasileiros conhecemos do nosso país?

Ouso responder essa pergunta com uma palavra: pouco.

Infelizmente a nossa síndrome de cachorro vira-lata nos faz dar mais valor a tudo o que é criado fora do Brasil. Ainda temos desconfiança da qualidade dos nossos filmes, os quais a maioria só assistiu os que a Globo produziu, ainda temos desesperança de que possamos ter um país desenvolvido, ainda culpamos o outro de corrupto mas não refletimos sobre quais atitudes corruptas também fazemos, ainda aspiramos mudar para um país em que tudo funcione com a ideia de que vamos "funcionar" também. 
Um dos maiores descasos que possamos ter é o descaso com a nossa história. Isso faz com que tragédias sejam esquecidas e uma delas foi durante muito tempo velada, a do hospício Colônia, localizado na cidade de Barbacena em Minas Gerais. Cerca de 60 mil pessoas foram mortas nesse local. 

60 MIL PESSOAS FORAM MORTAS por serem marginalizadas pela sociedade, por não serem de acordo com o padrão, umas por apresentarem doenças mentais, outras por não terem outro local para viverem.








Ao se deparar com as fotografias acima, a jornalista Daniela Arbex ficou completada impactada. Todas elas foram tiradas em 1961 pelo fotógrafo Luiz Alfredo e retratam a realidade do hospício Colônia naquele período. As imagens, que ao primeiro momento se assemelham as de campos de concentração nazista, ainda são desconhecidas por grande parte de nossa população. 
Para resgatar e compreender a história de vida dos internos e protagonistas das fotografias, a jornalista Daniela escreveu o livro Holocausto Brasileiro. 


Em entrevista à UNIVESP TV, a autora relata sua experiência de escrever um livro sobre um dos capítulos mais cruéis de nossa história. 


15 de janeiro de 2015

oninecseF


Nós brasileiros abusamos do eu te amo, até mesmo contaminamos os portugueses com esse refrão. Acho que foi a Agustina Bessa-Luís quem disse que a televisão brasileira, as novelas da Globo causaram esse contágio; anteriormente os portugueses diziam gosto de ti, tinham vergonha de dizer eu te amo. Essa mania nossa veio dos americanos, eles dizem eu te amo até o peixe no aquário

17 de novembro de 2013

Os espiões


Até hoje não se explicar por que a perspectiva de estar face a face com Ariadne provocava aquela sensação, ao mesmo tempo de pânico e cálida antecipação, com epicentro no meu estômago. Eu não sabia o que iria fazer em Frondosa, só sabia que, fosse o que fosse, definiria a minha vida. Ou talvez a sensação de calor na boca do estômago fosse comum a todos que se aproximam da boca de um labirinto. Deve haver uma palavra em alemão para o medo de desaparecer para sempre.


Os espiões é um livro de Luís Fernando Veríssimo que tem como objetivo nos colocar diante de um labirinto para, assim, seguirmos as pistas juntamente como os protagonistas do livro na procura de uma figura mitológica que resolveu reviver entre nós com o nome de Ariadne. Com uma escrita peculiar que encanta a todos pelas suas revelações que incluem vingança e suicídio. Escrito em primeira pessoa acompanhamos o mudar de uma rotina e o voltar a ela. Entre o começo e o fim conhecemos a transição do camaleão em Dionísio, e de Dionísio frustado a um legítimo camaleão.

5 de outubro de 2013

11


Virgínia tem ímpetos  de jogar o frasco de perfume na cabeça da Noca, quando a rapariga lhe vem anunciar com a voz  fanhosa:
- O chã tã pronto.
Fica parada ali na porta, a cara idiota, a cabeça minúscula de passarinho no alto do pescoço descarnado e comprido: uma pera na ponta da vara. E aquele esgar canino, aquela máscara de palhaço cretino, aqueles olhinhos espantados... Não: a gente tem vontade de jogar uma coisa na cabeça dela...Virgínia fuzila para a criada um olhar colérico.
Outra vez a voz fanhosa:
- Estã pronto  o chã, dona Virgínia.
É demais. Nem uma santa aguenta.
- Já ouvi! - berra. - Já ouvi! Não sou surda.
O sorriso canino persiste, deixando visíveis os dentes amarelados, pontiagudos e minúsculos. E é bem um olhar de cão surrado - um olhar de simpatia e fidelidade medrosa que a rapariga lança para a patroa quando esta passa por ela.
A patroa surra na gente, mas a patroa é boa, dá dinheiro, dá vestido bonito. Dona Virgínia  grita com a gente - mas depois dá risada pra gente.
E o olhar amoroso segue o vulto quente e perfumado da mulher de roupão azul que desce a escada porque "o chã tã pronto". 
 CAMINHOS CRUZADOS
ERICO VERISSIMO 


15 de setembro de 2012

AMAR


" Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho,
e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor à procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa, amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita. "


 Carlos Drummond de Andrade

4 de agosto de 2012

Feliciana

Neste romance, Gonçalves Dias, o escritor da “Canção do Exílio” é retratado desde seu nascimento até seus últimos dias, porém esta não é apenas uma biografia do escritor, trata-se e um romance histórico, no qual uma personagem - sendo esta uma pessoa comum – narra um amor platônico pelo poeta.


Esta personagem chamada Feliciana conta através de seu ponto de vista toda a trajetória de Antônio Gonçalves Dias. Ela enamora-se por ele em sua juventude e permanece este amor em si.
O livro entrelaça a vida de Gonçalves Dias com a da garota, esta que sempre dizia ser para si o poema “olhos verdes”, o primeiro do poeta.


Eles verdes são:
E têm por usança
Na cor esperança
E nas obras não.

São uns olhos verdes, verdes,
Uns olhos de verde-mar,
Quando o tempo vai bonança;
Uns olhos cor de esperança
Uns olhos por que morri;
Que, ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!

Faz um bom tempo que li este livro, antes mesmo de fazer esta síntese apresentando o livro, digitei um capítulo e publiquei-o aqui no blog, Alma Compassiva.
Há também um outro trecho, Furor de Bacanal.


A escritora deste livro também já se dedicou em escrever sobre outros importantes autores brasileiros, no livro Boca do Inferno  revive Salvador do final do século XVII do qual faziam parte Padre Antônio Vieira e o poeta Gregório de Matos.
Em A Última Quimera, Ana debruça-se sobre a vida e a obra de Augusto dos Anjos, este poeta que teve uma vida breve, mas marcou a literatura brasileira pela mistura da objetividade do cientificismo com os mais profundos sentimentos do ser humano. Certamente A Última Quimera vale a pela ser lido por aqueles que queiram admirar-se com a nossa literatura e com a vida de um dos nossos poetas mais importantes do início do século XX.

29 de abril de 2012

Alma compassiva

E dizem em Caxias que sempre fui uma alma boa, titio falava isso, e Natalícia dizia: Ah, ela é uma boa samaritana! eu ficava fula com as carolices desse pessoal que fica despachando do próximo, desenterrando morto e engasgando-se com mosquitos, sei que a Boa Samaritana queria dizer que eu dava trela mais a um filho de estrangeiro do que a um natural, que eu dava de beber a um inimigo e não a um brasileiro, mas podia eu ser boa samaritana se ela teve seis maridos? ou foram oito? ou doze? feliz dela que teve tantos amores, sei é que amou, eu tive nenhum marido e apenas um único amor em toda a minha vida, um amor sem modos de o conseguir, mas que não tem nada do que pensam os beijadores de ladrilho da igreja, no escondido da noite sinto uma desordem dentro de mim e ninguém sabe disso, minha devoção é muito mais romântica porque é secreta, Maria Luíza disse que não entendo como eu aceito ser uma preterida, como eu me deixo ficar feito encomenda sem dinheiro que não sai do tinteiro, um dia escrevi uma carta para Maria Luíza explicando que não sou uma preterida, é bem diferente disso, sou alguém que ama em segredo, não sei por que sou assim, talvez seja aquele mesmo problema dos poetas que se entregam a sacrifícios que não interessam a ninguém, vivem para o próprio segrego, mas prefiro isso ao lugar-comum, prefiro essa pessoas revolvidas pela tristeza, do que ter pensamentos a menos cada ano, prefiro amargar a engolir, apenas por amar Antonio sinto-me como que enfeitada de outro e pérolas, isso escrevi na carta, porém nunca mandei essa carta para Maria Luíza, para ela não pensar que sou uma boa samaritana metida e santa, o que prova a santidade é vencer a tentação, e não aquele que nasceu com o coração de pedra dura, feito eu, mas o coração de muitas bitolas irrealistas.

22 de abril de 2012

Um romance original

O pouco que sei sobre Mário de Andrade pareceu-me ter ele sido um experimentador, estando em busca de inovações na escrita e na sociedade da época.
Em pleno Modernismo, Mário de Andrade tornou-se um dos ícones da revolução feita no Brasil na tão mencionada ainda hoje Semana da Arte Moderna de 22.


Amar, verbo intransitivo

Este livro foi recebido com estranheza quando lançado, não somente pelo enredo também pela escrita, a qual o autor esclarece o seu uso no posfácio.
Nesta obra narra o cotidiano de uma família burguesa paulista após a chegada de uma nova governanta, Elza.O trabalho de Fräulein, como deveriam lhe chamar, não era somente cuidar dos filhos de Souza Costa e dona Laura, a causa de sua vinda para esta família era iniciar a vida sexual do primogênito do casal, Carlos. Mais do que isso, Fräulein era professora de amor.
É coisa que se ensine o amor? Creio que não. Pode ser que sim. Fräulein tinha um método bem dela. O deus paciente o construíra, tal qual os prisioneiros fazem essas catitas cestinhas cheias de flores e de frutas coloridas. Tudo de miolo de pão, tão mimoso!
Inicialmente Fräulein teve dificuldades para aproximar-se de Carlos, quando este apaixonou-se por ela, o serviço já estava ao fim e ambos seguiram suas vidas.

Espero que não se contenha com o pequeníssimo resumo que fiz acima da obra, confesso-lhe ter tido dificuldades perante a leitura do livro, mas impressionou-me a trama e todos os elementos colocados pelo autor.

Há também um filme de 1975 baseado neste livro, fiel a obra, porém aconselho a leitura.

Abaixo, um vídeo que conta, também bastante resumidamente, a trama do livro.


Mais sobre o livro:

E-book:

Se preferir poderá ler as primeiras páginas deste romance no google books.

Análises:

Espaço Acadêmico

Passeiweb

Cola da web 

Literatura-edir

Blog: Amar, verbo intransitivo

E para terminar algumas frases presente no livro:

A dificuldade sempre parece maior do que é.

Vida feliz foge tão rápida!

O amor nasce das excelências interiores.

Se você ama, ou por outra se já deseja no amor, pronuncie baixinho o nome desejado. Veja como ele se moja em formas transmissoras do encosto que enlanguesce. Esse ou essa que você ama, se torna assim maior, mais poderoso. E se apodera de você. Homens, mulheres, fortes, fracos... Se apodera. 

A próxima frase foi dita por Fräulein e o autor faz um análise sobre ela no livro.

"hoje a filosofia invadiu o terreno do amor"

Esta frase encontra-se na seguinte fala da personagem:

—... E o amor não é só o que o senhor Sousa Costa pensa. Vim ensinar o amor como deve ser. Isso é que eu pretendo, pretendia ensinar pra Carlos. O amor sincero, elevado, cheio de senso prático, sem loucuras. Hoje, minha senhora, isso está se tornando uma necessidade desde que a filosofia invadiu o terreno do amor! Tudo o que há de pessimismo pela sociedade de agora! Estão se animalizando cada vez mais. Pela influência às vezes até indireta de Schopenhauer, de Nietzsche... embora sejam alemães. Amor puro, sincero, união inteligente de duas pessoas, compreensão mútua. E um futuro de paz conseguido pela coragem de aceitar o presente.

3 de abril de 2012

A Moreninha

O primeiro grande sucesso do Romantismo brasileiro, A Moreninha narra o romance entre dois jovens prometidos desde o despertar do amor.
Conquistou um grande público pela linguagem simples e coloquial, apresentando apenas um pouco de suspense, muita ação passageira, imprevistos, cenas cômicas para desanuviar o ambiente e um final feliz, deixando os leitores pronto para a próxima obra.



A trama gira em torno de uma aposta feita entre quatro jovens estudantes de Medicina. Um deles, Augusto considera-se incapaz de se apaixonar mais de quinze dias por uma mesma moça e comprometeu-se em escrever um romance caso isto ocorresse durante a estadia dos jovens um uma ilha, onde morara a avó de Felipe.
Ao desenrolar dos dias na ilha, Augusto interessa-se por d. Carolina, uma menina travessa acostumada a todos encantar pelas suas peripécias.
Em um diálogo com d. Ana, avó de Felipe, nosso estudante conta-lhe suas aventuras amorosas, lembrando-se de uma velha conhecida de infância a qual prometeu casar-se somente com ela.
Com um final feliz, Augusto encontra esta velha conhecida de infância, perde a aposta e intitula seu livro de A Moreninha.

23 de março de 2012

Leite Derramado

Por isso é natural que eu parta feito um louco atras dela, mas isso só vai acontecer daqui a pouco. É esquisito ter lembranças de coisas que ainda não aconteceram, acabo de me lembrar que Matilde vai sumir para sempre.

Um livro de reminiscências narrado sem ordem cronológica, alfabética, ou por assunto.
A memória é deveras um pandemônio, mas está tudo lá dentro, depois de fuçar um pouco o dono é capaz de encontrar todas as coisas.
Estou fascinando-me por histórias antigas que mostram o retrato histórico vivido pelo Brasil em determinada época, neste livro pude encontrar-me com um dos primeiros tripulantes dos navios que nesta terra chegaram e deparar-me com sua geração desde então, contada até a contemporaneidade.

 Do meu último passeio, só me lembro por causa de uma desavença com o chofer de praça. Ele não queria me esperar meia horinha em frente ao cemitério São João Batista, e como dirigisse a mim de forma rude, perdi a cabeça e alcei a voz, escute aqui senhor, eu sou bisneto do barão dos Arcos. Aí ele me mandou tomar no cu mais o barão, desaforo que nem lhe posso censurar.

O desfecho, não sei lhe dizer porquê faz me lembrar da música João e Maria...

Agora eu era o herói                                                                                                                    E o meu cavalo só falava inglês                                                                                                   A noiva do caubói era você além das outras três                                                                        Eu enfrentava os batalhões...

Com o tempo aprendi que o ciúme é um sentimento para proclamar de peito aberto, no instante mesmo de sua origem. Porque ao nascer, ele é realmente um sentimento cortês, deve ser logo oferecido à mulher como uma rosa. Senão, no instante seguinte ele se fecha em repolho, e dentro dele todo o mal fermenta.                                                                                                               O ciúme é então a espécie mais introvertida das invejas, e mordendo-se todo, põe nos outros a culpa da sua feiura.                                                                     Sabendo-se desprezível, apresenta com nomes supostos.
Antologias, deixo-as aqui para relembrar de pedaços desta obra madura de um sábio escritor.
Porque tudo é mesmo uma merda, mas depois melhora um pouco, quando de noite a namorada vem. 
Eulálio D´Assumpção, peripécias encantadoras contadas em um lugar qualquer onde alguém possa ouvir.

E com meu tronco eu a apertada, eu a espremia a valer, eu quase a esmagava na parede, até que Matilde disse, eu vou, Eulálio, e seu corpo tremeu inteiro, levando o meu a tremer junto.
O encanto de cada versão de suas histórias fascina em cada trecho.

Mas se com a idade a gente dá para repetir certas histórias, não é por demência senil, é porque certas histórias não param de acontecer em nós até o fim da vida.
Um simples verso da lavadeira tirava-o daquela monotonia.

Você me derrubou, mas eu levantei,                                                                                                Você me machucou, mas eu lhe perdoei



5 de fevereiro de 2012

O Alquimista

Este livro faz parte dos quais li nas férias, não farei uma breve introdução sobre o livro, colocarei uma síntese e apresentarei algumas ideias discutidas no livro.


Santiago é um jovem pastor que percorre os vales da Andaluzia, com as suas ovelhas, numa noite ele sonha com um tesouro localizado próximo das pirâmides do Egito. Primeiramente, ele ignora este sonho e volta à vida normal até encontrar um velho rei, na cidade de Tarifa. O velho rei lhe diz para seguir a sua lenda pessoal. 
E Santiago vende seu rebanho de ovelhas para ir a procura do seu tesouro.
Ele viaja para Tânger onde é roubado pela sua ingenuidade. Santiago arranja um emprego numa loja de cristais, com a sua presença a loja progrediu. Quando juntou mais dinheiro, o rapaz prossegue a sua jornada pelo deserto à procura do seu tesouro.

A princípio vale a pena recordar uma história que pertence ao Prefácio do livro:
Nossa Senhora, com o Menino Jesus em seus braços, resolveu descer á Terra e visitar um mosteiro. Orgulhosos, todos os padres fizeram uma grande fila, e cada um chegava diante da Virgem para prestar sua homenagem. Um declamou belos poemas, outro mostrou suas iluminuras para a Bíblia, um terceiro disse o nome de todos os santos. E assim por diante, monge após monte, homenageou Nossa Senhora e o Menino Jesus.No último lugar da fila, havia um padre, o mais humilde do convento, que nunca havia aprendido os sábios textos da época. Seus pais eram pessoas simples, que trabalhavam num velho circo das redondezas, e tudo que lhe haviam ensinado era atirar bolas para cima e fazer alguns malabarismos.Quando chegou sua vez, os outros padres quiseram encerrar as homenagens, porque o antigo malabarista não tinha nada de importante para dizer, e podia desmoralizar a imagem do convento. Entretanto, no fundo do seu coração, também ele sentia uma imensa necessidade de dar alguma coisa de si para Jesus e a Virgem.Envergonhado, sentindo o olhar reprovador de seus irmãos, ele tirou algumas laranjas do bolso e começou a jogá-las para cima, fazendo malabarismos, que era a única coisa que sabia fazer.Foi só neste instante que o Menino Jesus sorriu, e começou a bater palmas no colo de Nossa Senhora. E foi para ele que a Virgem estendeu os braços, deixando que segurasse um pouco o menino.

Gostaria de fazer uma observação de um pensamento feito pelo Santiago sobre as ovelhas de seu rebanho: " Porque confiam em mim, e se esqueceram de confiar nos seus próprios instintos. Só porque as conduzo ao alimento e á comida. "
Neste trecho analisarei um comportamento utilizado em alguns governos, quando li este trecho veio-me a mente o que acorre com alguns indivíduos de nossa sociedade: confiam e habituam-se com os seus modos de vida por terem "condições básicas" para as suas sobrevivências.

" Quando a gente vê sempre as mesmas pessoas terminamos fazendo com que elas passem a fazer parte de nossas vidas. E como elas fazem parte de nossas vidas, passam também a querer modificar nossas vidas. Se a gente não for como elas esperem, ficam, chateadas. Porque todas as pessoas têm a noção exata de como devem viver nossa vida.
E nunca tem noção de como devem viver as suas próprias vidas. "

Há pessoas que encontramos ao decorrer da vida que nos aperfeiçoa e nos deseja o bem, a convivência não faz com que tenhamos afeto entre as pessoas, este afeto poderá vir diante a nossa vontade em determinada coisa.
Você pode conviver anos com o mesmo colega de classe ou trabalho, poderão se falar algumas vezes, mas se ambos acharem que uma relação não seria útil, esta não acontecerá.
Na frase ressalta de que há pessoas que não gostaríamos de chatear e cedemos a alguns caprichos, porém, ao ceder não estamos fazendo o que queremos e sim o que os outros querem que fazemos.

" Em determinado momento de nossa existência, perdemos o controle de nossas vidas, e ela passa a ser governada pelo destino. 
Esta é a maior mentira do mundo"

Esta frase me lembra o ciclo da vida: nascer, crescer e morrer e dentre esses intervalos há o de viver, um exemplo corriqueiro é quando vemos um casal de namorados, que algum dia serão noivos, se casarão, terão filhos, cuidarão destes e terão uma feliz idade por terem cumprido a missão de continuar suas gerações, porém, pergunto-me se durante esta trajetória viverão a mercê dos dias, não há nada de errado em constituir uma família, mas e deixar-se levar pelo destino que julgam ser assim?

" As pessoas dizem coisas muito estranhas, pensou o rapaz. Ás vezes é melhor estar com as ovelhas, que são caladas e apenas procuram alimento e água. Ou é melhor estar com os livros, que contam estórias incríveis sempre nas horas que a gente quer ouvir. Mas quando a gente fala com as pessoas, elas dizem certas coisas e ficamos sem saber como continuar a conversa. "

Pequeno teste: Você prefere estar sozinho(a) ou acompanhado(a) de um desconhecido? Por quê? Um livro pode ensinar mais do que experiências de vida? Na maioria das vezes somos sozinhos aos pares?
Ah, não se esqueça que as respostas estão em você.

Lenda Pessoal: " É aquilo que você sempre desejou fazer. Todas as pessoas no começo da juventude sabem qual é a sua Lenda Pessoal "

" E quando você quer alguma coisa, todo o universo conspira para que você realize seu desejo." 

Esta última frase aparece com certa frequência no livro, já a conhecia antes da leitura do livro, a achei bastante interessante e me faz lembrar de que meus desejos por mais infantis que sejam podem tornarem-se real.

Uma frase adaptada: " O que as pessoas pensam sobre alguma coisa passa a ser mais importantes para elas do que a Lenda Pessoal. "
Por que eu trabalharei em uma profissão que gosto muito, se esta não me traz prestígio e conforto?

Princípio Favorável: " Se você for jogar baralho pela primeira vez, com quase toda certe irá ganhar. Sorte de principiante.
   - E por quê?
   - Porque a vida quer que você viva a sua Lenda Pessoal "

Linguagem Universal: " Existe uma linguagem que está além das palavras "
" Se eu aprender a decifrar esta linguagem sem palavras, eu vou conseguir decifrar o mundo "
" Tudo é uma coisa só. "

Sinais: " Tudo na vida são sinais."

" Se o que você encontrou é feito de matéria pura, jamais apodrecerá. E você poderá voltar um dia. Se foi apenas um momento de luz, como a explosão de uma estrela, então não vai encontrar nada quando voltar. Mas terá visto uma explosão de luz. E só isso já vale a pena. "

O verdadeiro amor permanecerá até a eternidade, a palavra amor tem um significado mais amplo para mim do que uma simples relação afetiva ou um sentimento enigmático.
Na frase, O alquimista atentou-se em explicar que se algo permanece na ausência e continua na volta será eterno, como o amor verdadeiro.

Algumas citações presentes no livro:

" É justamente a possibilidade de realizar um sonho que torna a vida interessante "


" As decisões eram apenas o começo de alguma coisa. Quando alguém tomava uma decisão, na verdade estava mergulhando numa correnteza poderosa, que levava a pessoa para um lugar que jamais havia sonhado na hora de decidir. "

" Quando se ama, as coisas fazem ainda mais sentido. "


" O medo de sofrer é pior do que o próprio sofrimento. E nenhum coração jamais sofreu quando foi em busca de seus sonhos. "

" Quanto temos os grandes tesouros diante de nós, nunca percebemos. E sabe por quê? Porque os homens não acreditam em tesouros."

" Só uma coisa torna um sonho impossível: o medo de fracassar. "

Palavra Final

Este foi o primeiro livro que li do Paulo Coelho, ouvi vários rumores sobre a sua forma de escrever, mas não sabia realmente do que diziam.
A leitura foi bastante agradável e sobre os rumores que ouvi gostaria de ressaltar que em tudo o que procuramos conhecer há opiniões diversas e não precisamos achar essas opiniões por mais que estimamos as pessoas que as manifestaram de certas ou erradas. 
" Só a experiência própria é capaz de tornar sábio o ser humano. "  já dizia Freud.
As últimas citações que não comentei são tão importantes quanto as que fiz alguma observação, se você gostou de alguma outra diga-nos o que acha.

9 de dezembro de 2011

O defunto-autor

Memórias póstumas de Brás Cubas é a obra que marca o inicio do Realismo Brasileiro, Machado de Assis é o nome do autor deste livro que nos faz reviver as memórias de um defunto, que conversa conosco ao decorrer do livro, nos faz refletir e não existe, explicando melhor você conversa com um morto que nunca existiu, isso não é fantástico? A literatura nos guia a caminhos nunca antes imaginados e surpreendentes.
Há um pequeno detalhe que não posso deixar que passe em branco, quando escrevi que Memórias Póstumas de Brás Cubas marca o início do Realismo no Brasil é da seguinte maneira: 
DOIS TIPOS DE REALISMO
O chamado Realismo na Literatura brasileira compreende duas manifestações literárias muito diferentes, ambas marcadas pela oposição à tendência idealizante do Romantismo e pela atitude crítica em relação à sociedade.                De um lado temos o Realismo propriamente dito, ou Realismo Psicológico, inaugurado por Memórias Póstumas de Brás Cubas; de outro, o Realismo-Naturalismo, cujo marco inicial é o romance O Mulato, também de 1881, de Aluísio Azevedo (1857-1913).     A obra mais importante do Realismo-Naturalismo é O Cortiço, de Aluísio Azevedo, editado em 1890. No livro de Azevedo, a trama desenvolve-se em uma habitação coletiva do Rio de Janeiro, onde vivem e circulam operários, prostitutas e personagens das mais variadas classes sociais. A composição desses tipos e do enredo tem a intenção de descrever objetivamente a vida de uma determinada sociedade e retratar seu funcionamento. O Realismo-Naturalismo é cientificista e determinista, considerando que as ações humanas são produtos de leis naturais: do meio, das características hereditárias e do momento histórico. Já o Realismo Psicológico de Machado de Assis despreza tanta objetividade. O escritor concentra sua narrativa na visão de mundo de seus personagens, expondo suas contradições. A classificação mais adotada para definir a escola literária a que pertence Machado de Assis na segunda fase de sua obra é Realismo Psicológico. O recurso que ele utiliza para discutir a sociedade é a abordagem, em profundidade, da individualidade e do caráter dos personagens. 

Prossigamos, este é o primeiro livro de Machado de Assis que eu li, certamente não é o conhecidíssimo Dom Casmurro mas não te esqueças, estamos falando de Machado de Assis e se tu achas que este homem fora apenas um mero escritor, estás completamente enganado.

Não há uma ordem cronológica neste romance, M. de A. ressalta no prólogo na quarta edição perguntado se este livro é um romance "sim e não, era romance para uns e não o era para outros" sobre a ordem cronológica destaca no primeiro capítulo "Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo."(I)

Lembre-se que há 2 Brás Cubas no livro o morto e o vivo, o morto que descreve as dissertativas, franco (não preocupa-se em estar certo ou errado, ele já está morto) "advirto que a franqueza é a primeira virtude de um defunto " (XXIV), sarcástico, irônico e observador. O vivo está apenas nos diálogos usados ao decorrer do livro.

Alguns dos principais capítulos do livro são: O emplasto, O delírio, Coxa de nascença, O embrulho misterioso, O velho diálogo de Adão e Eva, O vergalho e das Negativas. 
Naturalmente estes são os considerados mais importantes mas aqui entre nós o livro inteiro é uma pérola.

"Por que bonita, se coxa? por que coxa, se bonita?"(XXXIII) Este enigma que Brás Cubas tenta desvendar no capítulo posterior ao de Coxa de nascença é sobre a Eugênia ser coxa (manca), Eugênia era filha ilegítima de um amor entre dois amantes, o nome Eugênia significa bom gene. a bem nascida. Para Brás Cubas uma mulher bonita jamais poderia ser coxa deveria ser feia mas Eugênia era bonita e coxa, eles não ficaram juntos diria por orgulho deste Brás Cubas, achava-se superior (socialmente) e jamais um Cubas poderia casar-se com uma coxa, isto seria o pior. Ele chega a dizer isto "Tu, minha Eugênia, é que não as descalçaste nunca; foste aí pela estrada da vida, manquejando da perna e do amor, triste como os enterros pobres, solitária, calada, laboriosa, até que vieste também para esta outra margem... O que eu não sei é se a tua existência era muito necessária ao século. Quem sabe? Talvez um comparsa de menos fizesse patear a tragédia humana." (XXXVI).

Em diversos trechos do livro são feitas algumas citações de vários escritores como, Shakespeare, Virgílio, Sêneca e inclusive é usado algumas escrituras bíblicas.
Uma das minhas citações favoritas é a do capítulo Na Tijuca, "Que bom é estar triste e não dizer coisa nenhuma" Shakespeare.

Personagens:

Brás Cubas: O protagonista deste romance, vivo e morto, fofoqueiro, cínico, amante...
Marcela: Foi nesta "linda Marcela" que Brás deu seu primeiro beijo, ela prostituta espanhola, amou Brás por "15 meses e 11 contos de réis". Viva o Amor!
Virgília: Seria esposa do Brás se ele não fosse tão vagaroso, perdeu pro Lobo Neves (esposo da Virgília) e depois viveram algumas aventuras.
Eulália: quase casou-se com o Brás, filha do coronel Damasceno que gostava de uma briga de galo.
Essas 3 foram as mulheres de Brás Cubas.

Luís Cubas: papai do Brás "tinha é verdade uns fumos de pacholice; mas quem não é um pouco pachola neste mundo?" (III), queria ver o filho casado e politico mas morreu o mesmo aconteceu com a sua mãe quando ele Volta ao Rio (XXII).
Sabina: Irmã do Brás.
Cotrim: Cunhado do Brás, lucro era tudo para ele ("Os fins justificam os meios" Lembras tu de Maquiavel?)
Dona Plácida: uma senhora que recebeu um embrulho misterioso do Brás em troca de silêncio e lealdade.
Prudêncio: ex-escravo da família dos Cubas, quando criança Brás fazia-o de cavalinho, quando conquistou a sua liberdade comprou um escravo por desejo de vingança , na tentativa de repetir com outra pessoa o que ele próprio sofreu, este personagem mostra a situação entre opressor e oprimido.
Quincas Borba: Amigo de infância de Brás, mendigo, filósofo, criador de um sistema filosófico adotado diria pelo Brás.

O livro pode ter sido publicado pelos anos de 1880, "Não acreditava que ele tivesse vivido numa época tão distante. Você pensaria que foi escrito ontem. É tão moderno e prazeroso. É uma obra muito, muito original."

Créditos: 


http://fredb.sites.uol.com.br/mpbc.html

http://www.curso-objetivo.br/vestibular/atualidades_online2.aspx

Obra Completa:

http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bn000167.pdf

Filme Completo:

http://www.youtube.com/watch?v=badOiExoMKk



7 de dezembro de 2011

Não se esqueça de...

Quem morre? 

Morre lentamente
Quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem não encontra graça em si mesmo

Morre lentamente

Quem destrói seu amor próprio,
Quem não se deixa ajudar. 

Morre lentamente
Quem se transforma em escravo do hábito
Repetindo todos os dias os mesmos trajeto,
Quem não muda de marca,
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou
Não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente
Quem evita uma paixão e seu redemoinho de emoções,
Justamente as que resgatam o brilho dos 
Olhos e os corações aos tropeços. 

Morre lentamente
Quem não vira a mesa quando está infeliz 
Com o seu trabalho, ou amor,
Quem não arrisca o certo pelo incerto
Para ir atrás de um sonho, 
Quem não se permite, pelo menos uma vez na vida, Fugir dos conselhos sensatos... 

Viva hoje !
Arrisque hoje ! 
Faça hoje !
Não se deixe morrer lentamente !


NÃO SE ESQUEÇA DE SER FELIZ


Martha Medeiros


6 de dezembro de 2011

Uma escritora universal


Carola Saavedra nasceu no Chile em 1973, mudou-se com apenas 3 anos para o Brasil.
Morou na França, Espanha e Alemanha, por ter vivido em diversos países as vivências a influenciaram muito em seus livros.
A finalista do Prêmio Jabuti 2011 com Paisagem com dromedário participou da maior feira de livros do mundo em Frankfurt fazendo parte de uma mesa-redonda, cujo tema foi "Quem nos conta sobre o Brasil e o quê".
Carola considera-se uma escritora 100% brasileira, apesar de não fazer referências diretas ao Brasil em seus livros, prefere escrever sobre temas universais, sua estadia  em outros países influenciaram sua forma de escrever e a escritora que ela tornou-se hoje.
Apaixonada pelo idioma alemão e tendo uma relação antiga com a Alemanha onde concluiu um mestrado em comunicação, ter seus livros traduzidos para o alemão representaria um reconhecimento em sua carreira, pois seria como passasse a existir  num país ao qual também pertence.


Destaques de sua entrevista á Deutsche Welle

"Como alguém interessada em pensar a literatura e não apenas em vender livros. Eu não teria nada contra um best-seller, mas não é o meu objetivo.O meu objetivo é a qualidade literária."
  
 "Quando criança, era fascinada pelos livros, pela biblioteca do colégio. Quando me lembro da infância, às vezes, a memória mais forte é de trechos de livros, imagens, personagens de livros que li e não de coisas que vivi."
 "Hoje, moro no Rio de Janeiro, um lugar que eu amo – é como um casamento, em que se ama apesar dos problemas –, é ali que me sinto em casa. Talvez eu possa dizer isso por ter vivido em outros países, visto várias culturas."
 "Às vezes, fazer a pergunta certa é muito mais interessante que dar respostas. E, a questão principal da literatura é a liberdade."
 "Acho que escrevemos porque precisamos escrever. A melhor literatura surge das obsessões de cada autor."
 "Para mim a reação do leitor é sempre um mistério."

 "Cada idioma é uma forma de olhar para o mundo." 
 "A importância que a literatura de um país tem no exterior é um reflexo da sua importância econômica."
 "Parte da vida do escritor é o contato com um leitor, receber um retorno. Acho incrível ter um diálogo com outras culturas."


Os três romances da autora:



Toda terça (Companhia das Letras, 2007)
Flores azuis (Companhia das Letras, 2008; eleito melhor romance pela Associação Paulista dos Críticos de Arte, finalista dos prêmios São Paulo de Literatura e Jabuti)
Paisagem com dromedário (Companhia das Letras, 2010, Prêmio Rachel de Queiroz na categoria Jovem autor, finalista do Prêmio São Paulo de Literatura e do Prêmio Jabuti).