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4 de agosto de 2012

Feliciana

Neste romance, Gonçalves Dias, o escritor da “Canção do Exílio” é retratado desde seu nascimento até seus últimos dias, porém esta não é apenas uma biografia do escritor, trata-se e um romance histórico, no qual uma personagem - sendo esta uma pessoa comum – narra um amor platônico pelo poeta.


Esta personagem chamada Feliciana conta através de seu ponto de vista toda a trajetória de Antônio Gonçalves Dias. Ela enamora-se por ele em sua juventude e permanece este amor em si.
O livro entrelaça a vida de Gonçalves Dias com a da garota, esta que sempre dizia ser para si o poema “olhos verdes”, o primeiro do poeta.


Eles verdes são:
E têm por usança
Na cor esperança
E nas obras não.

São uns olhos verdes, verdes,
Uns olhos de verde-mar,
Quando o tempo vai bonança;
Uns olhos cor de esperança
Uns olhos por que morri;
Que, ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!

Faz um bom tempo que li este livro, antes mesmo de fazer esta síntese apresentando o livro, digitei um capítulo e publiquei-o aqui no blog, Alma Compassiva.
Há também um outro trecho, Furor de Bacanal.


A escritora deste livro também já se dedicou em escrever sobre outros importantes autores brasileiros, no livro Boca do Inferno  revive Salvador do final do século XVII do qual faziam parte Padre Antônio Vieira e o poeta Gregório de Matos.
Em A Última Quimera, Ana debruça-se sobre a vida e a obra de Augusto dos Anjos, este poeta que teve uma vida breve, mas marcou a literatura brasileira pela mistura da objetividade do cientificismo com os mais profundos sentimentos do ser humano. Certamente A Última Quimera vale a pela ser lido por aqueles que queiram admirar-se com a nossa literatura e com a vida de um dos nossos poetas mais importantes do início do século XX.

29 de abril de 2012

Alma compassiva

E dizem em Caxias que sempre fui uma alma boa, titio falava isso, e Natalícia dizia: Ah, ela é uma boa samaritana! eu ficava fula com as carolices desse pessoal que fica despachando do próximo, desenterrando morto e engasgando-se com mosquitos, sei que a Boa Samaritana queria dizer que eu dava trela mais a um filho de estrangeiro do que a um natural, que eu dava de beber a um inimigo e não a um brasileiro, mas podia eu ser boa samaritana se ela teve seis maridos? ou foram oito? ou doze? feliz dela que teve tantos amores, sei é que amou, eu tive nenhum marido e apenas um único amor em toda a minha vida, um amor sem modos de o conseguir, mas que não tem nada do que pensam os beijadores de ladrilho da igreja, no escondido da noite sinto uma desordem dentro de mim e ninguém sabe disso, minha devoção é muito mais romântica porque é secreta, Maria Luíza disse que não entendo como eu aceito ser uma preterida, como eu me deixo ficar feito encomenda sem dinheiro que não sai do tinteiro, um dia escrevi uma carta para Maria Luíza explicando que não sou uma preterida, é bem diferente disso, sou alguém que ama em segredo, não sei por que sou assim, talvez seja aquele mesmo problema dos poetas que se entregam a sacrifícios que não interessam a ninguém, vivem para o próprio segrego, mas prefiro isso ao lugar-comum, prefiro essa pessoas revolvidas pela tristeza, do que ter pensamentos a menos cada ano, prefiro amargar a engolir, apenas por amar Antonio sinto-me como que enfeitada de outro e pérolas, isso escrevi na carta, porém nunca mandei essa carta para Maria Luíza, para ela não pensar que sou uma boa samaritana metida e santa, o que prova a santidade é vencer a tentação, e não aquele que nasceu com o coração de pedra dura, feito eu, mas o coração de muitas bitolas irrealistas.