Enquanto assistia a uma palestra de Valter Hugo Mãe, ocorreu-me a importância de se escrever sobre o cotidiano. O escritor lusitano discorreu, dentre outros assuntos, sobre um dos seus maiores erros: o de não querer ser pai quando poderia ter feito a escolha para sê-lo. A falar sobre isso, ele chamou a atenção do quanto é uma aventura a criação de filhos e um dos presentes mais valiosos que poderia se dar a eles seria uma coletânea de crônicas escritas durante esse processo. Para Mãe, escrever é algo como compreender melhor o outro para, assim, compreender a si mesmo. Confesso ter me deparado com palavras, pensamentos adiante dos meus ao assistir essa palestra, sentia a sensação de que o entendimento estava em forma de brumas ao meu redor.
Contudo, o que gostaria de guardar aqui é essa verdade: deve-se escrever para lembrar.
Dias atrás, indaguei-me sobre qual teria sido o prato que ao comer fez-me sentir prazer, gratidão, fascínio. O que comi que fez-me sentir bem? Bom, após pensar alguns minutos, cheguei a conclusão de que não havia experimentado a sensação em questão. Uma das coisas aprendidas sobre mim mesma durante esses 20 anos foi a de que não sou boa para respostas rápidas. Poucas vezes consigo juntar todo o arsenal de memórias em favor de um determinado assunto para que se possa fazer uma escolha. Eu não calo porque consinto, eu me calo para ouvir meus pensamentos, organizá-los, selecioná-los, questioná-los até chegar a uma resposta plausível. Esse procedimento é lento, é ativo. Ontem senti-me feliz por estar viva ao comer uma torrada. A epifania adentrou meu corpo todo, cada mordida naquela torrada feita de pão amanhecido regado a azeite e coberta de manjericão foi um pedaço do divino, do profano. Também é preciso lembrar do shitake, seu sabor incomparável, singular. Shoyu é um dos temperos mais completos, pra mim, o coloco em tudo e o melhor: sempre fica bom. Ímpar.
Esse ano aprendi a respeitar os alimentos, assim respeitar a mim mesma, uma vez que a escolha de um ingrediente ou outro influencia diretamente na nossa concepção de vida. Meus pilares para a adoção do vegetarianismo continuam sendo ambiental, político, estético e espiritual. Não sou capaz de descrever o quanto esse estilo de vida me permitiu viver melhor, porém ouso escrever que ele foi um dos responsáveis por me fortalecer em momentos complicados que passei esse ano. Foram dias e noites muito terríveis. Incrível como sobrevivi a eles e hoje tenho a oportunidade de relatá-los. What does not kill you, make you stronger.
26 de dezembro de 2016
11 de dezembro de 2016
Libert
" A liberdade é um mito. Vivemos clamando por ela, mas raramente estamos dispostos a exercê-la. Estamos sempre dispostos a tolher nossa liberdade e criar dependência, seja em nome de ideologia, religião ou amor.”
Kieslowski sobre A Liberdade é Azul
27 de novembro de 2016
Por um mundo melhor
Estarrecedor!
Estarrecedor é um bom adjetivo para caracterizar, a nova série da Netflix, 3% e o filme Truman: o show da vida.
A série estreou na última sexta-feira, dia 25, e já ganhou um espaço de privilégio em meu coração e em minha mente. Distopias me encantam enormemente! O que seríamos de nós sem as distopias, utopias, alegorias?
Metaforizar o mundo é uma das mais sagazes maneiras de compreende-lo!
A arte imita a vida e a vida imita a arte. O real e o irreal se misturam, se entrelaçam, se emaranham, se definham um ao outro e o outro a si mesmo.
Impressões, pinceladas bruscas, pinceladas grossas, pinceladas suaves, pinceladas minhas registradas aqui estão. Deixo-me guiar pelos sentimentos, pela razão, pela sinestesia enérgica provocada por uma cena marcante, por um roteiro inebriante, por uma vida que se assemelha à vivida.
Um choro ao lado, latidos ao fundo. A dor que não dissipa. A volta para a realidade.
A distopia de 3% diz muito sobre questões atuais. Primeiramente, a meritocracia. Repetidas vezes, Ezequiel, o responsável pelo processo exprime sua máxima: "Você é o criador do seu próprio mérito". Conceito paradoxal e estimulante aos escolhidos, uma vez que para ser um deles é preciso não se importar com o restante da população por meio de uma filosofia que exclui aqueles não merecedores.
Truman escancara nossa curiosidade a vida alheia, mesmo quando em condições projetadas, onde as sombras predominam.
Ah! Se todos soubessem que são protagonistas de suas vidas e se criassem a si mesmos!
Estarrecedor é um bom adjetivo para caracterizar, a nova série da Netflix, 3% e o filme Truman: o show da vida.
A série estreou na última sexta-feira, dia 25, e já ganhou um espaço de privilégio em meu coração e em minha mente. Distopias me encantam enormemente! O que seríamos de nós sem as distopias, utopias, alegorias?
Metaforizar o mundo é uma das mais sagazes maneiras de compreende-lo!
A arte imita a vida e a vida imita a arte. O real e o irreal se misturam, se entrelaçam, se emaranham, se definham um ao outro e o outro a si mesmo.
Impressões, pinceladas bruscas, pinceladas grossas, pinceladas suaves, pinceladas minhas registradas aqui estão. Deixo-me guiar pelos sentimentos, pela razão, pela sinestesia enérgica provocada por uma cena marcante, por um roteiro inebriante, por uma vida que se assemelha à vivida.
Um choro ao lado, latidos ao fundo. A dor que não dissipa. A volta para a realidade.
A distopia de 3% diz muito sobre questões atuais. Primeiramente, a meritocracia. Repetidas vezes, Ezequiel, o responsável pelo processo exprime sua máxima: "Você é o criador do seu próprio mérito". Conceito paradoxal e estimulante aos escolhidos, uma vez que para ser um deles é preciso não se importar com o restante da população por meio de uma filosofia que exclui aqueles não merecedores.
Truman escancara nossa curiosidade a vida alheia, mesmo quando em condições projetadas, onde as sombras predominam.
Ah! Se todos soubessem que são protagonistas de suas vidas e se criassem a si mesmos!
12 de novembro de 2016
C'est la arte
Recentemente assisti a um vídeo, de um youtuber ímpar, no qual revivi diversos sentimentos acerca de minhas convicções. Um dos meus papéis de parede tem a seguinte citação inscrita: "A vida começa todos os dias" do grande escritor Érico Veríssimo. Tais palavras evidenciam que a cada dia temos a possibilidade de iniciar algo, continuar, parar, nos transformar.
A arte é, para mim, novas lentes, as quais por meio delas vivencio histórias fascinantes, conheço personagens inesquecíveis e tem o papel de questionar nossa realidade, nossas certezas e aguçar nossas dúvidas.
Queridos leitores, gostaria de indicar-lhes um filme, Os Intocáveis. Tirei como lição a importância de se manter ao nosso lado pessoas que nos queiram bem, nos engrandece, nos faz felizes mesmo em silêncio. A amizade é uma das ligações mais poderosas que se pode ter com alguém, é um elo baseado em admiração, respeito, lealdade, histórias gostosas.
Aproveito também para escrever sobre Paraísos Artificiais, produção brasileira recheada de encontros e desencontros, bela fotografia, enredo em círculo. Ainda preciso reassistir O homem duplicado, visto que é necessário recomendar aquilo que, primeiramente, se compreende.
A arte é, para mim, novas lentes, as quais por meio delas vivencio histórias fascinantes, conheço personagens inesquecíveis e tem o papel de questionar nossa realidade, nossas certezas e aguçar nossas dúvidas.
Queridos leitores, gostaria de indicar-lhes um filme, Os Intocáveis. Tirei como lição a importância de se manter ao nosso lado pessoas que nos queiram bem, nos engrandece, nos faz felizes mesmo em silêncio. A amizade é uma das ligações mais poderosas que se pode ter com alguém, é um elo baseado em admiração, respeito, lealdade, histórias gostosas.
Aproveito também para escrever sobre Paraísos Artificiais, produção brasileira recheada de encontros e desencontros, bela fotografia, enredo em círculo. Ainda preciso reassistir O homem duplicado, visto que é necessário recomendar aquilo que, primeiramente, se compreende.
23 de setembro de 2016
"A vida é batalha, é desafio"
Cidade de Deus foi o filme brasileiro com maior renome internacional, nosso país ainda é visto pelo prisma dessa obra-prima, contudo, qual foi o legado trazido aos atores? É essa pergunta a ser respondida no documentário, Cidade de Deus 10 anos depois.
Assisti a esse filme nesse ano, influenciada pela fama mundial, visto que estava a pesquisar grandes produções. Fui conhecer uma realidade tão próxima a mim bem depois de descobrir a definição de niilismo para Turgueniev, desbravar a guerra da independência dos EUA em O Patriota e entender a crítica capitalista do Rammstein em sua língua original.
Uma das declarações mais impactantes dada no documentário foi a do Seu Jorge ao ressaltar que os negros do nosso país continuam marginalizados pela sociedade. Após 10 anos, a mentalidade era a mesma. Os papéis dados aos negros na imprensa continuam minoritários e estereotipados. Essa constatação me entristece profundamente. Tenho 20 anos e já vivenciei o suficiente para desconstruir as idealizações referentes ao nosso modelo de sociedade. Minha criticidade se aguçou com os anos e cada vez mais quero alcançar a lucidez. Somente por meio dela poderei reagir de modo efetivo as forças provenientes das injustiças e contradições.
Estou lendo o livro Mayombe de Pepetela. Que leitura agradável! Estou aprendendo sobre a vida, a que é cheia de desencontros amorosos, conflitos, estabelecimento de vínculos, mobilidade.
"O contrário da vida é o imobilismo."
"Não são os golpes sofridos que doem, é o sentimento da derrota ou de que se foi covarde."
"Uma nuvem isolada tem a individualidade que lhe é dada pela sua mutabilidade inquieta e caprichosa; esta individualidade per-de na massa que se concentra e que vale seu peso, pela sua potência selvagem."
Assisti a esse filme nesse ano, influenciada pela fama mundial, visto que estava a pesquisar grandes produções. Fui conhecer uma realidade tão próxima a mim bem depois de descobrir a definição de niilismo para Turgueniev, desbravar a guerra da independência dos EUA em O Patriota e entender a crítica capitalista do Rammstein em sua língua original.
Uma das declarações mais impactantes dada no documentário foi a do Seu Jorge ao ressaltar que os negros do nosso país continuam marginalizados pela sociedade. Após 10 anos, a mentalidade era a mesma. Os papéis dados aos negros na imprensa continuam minoritários e estereotipados. Essa constatação me entristece profundamente. Tenho 20 anos e já vivenciei o suficiente para desconstruir as idealizações referentes ao nosso modelo de sociedade. Minha criticidade se aguçou com os anos e cada vez mais quero alcançar a lucidez. Somente por meio dela poderei reagir de modo efetivo as forças provenientes das injustiças e contradições.
Estou lendo o livro Mayombe de Pepetela. Que leitura agradável! Estou aprendendo sobre a vida, a que é cheia de desencontros amorosos, conflitos, estabelecimento de vínculos, mobilidade.
"O contrário da vida é o imobilismo."
"Não são os golpes sofridos que doem, é o sentimento da derrota ou de que se foi covarde."
"Uma nuvem isolada tem a individualidade que lhe é dada pela sua mutabilidade inquieta e caprichosa; esta individualidade per-de na massa que se concentra e que vale seu peso, pela sua potência selvagem."
12 de setembro de 2016
Para se ter uma segunda doce
Ao me deparar com esse lindo relato, gostaria de guardá-lo aqui, onde poderá ser lembrado e revivido por meio de um sorriso doce.
12/09/2016 - Gregório Duvivier em sua coluna do Folha
Conheci ela no jazz. Essa frase pode parecer romântica se você imaginar alguém tocando Cole Porter num subsolo esfumaçado de Nova York. Mas o jazz em questão era aquela aula de dança que todas as garotas faziam nos anos 1990 –onde ouvia-se tudo menos jazz. Ela fazia jazz. Minha irmã fazia jazz. Eu não fazia jazz mas ia buscar minha irmã no jazz. Ela estava lá. Dançando. Nunca vou me esquecer: a música era "You Oughta Know", da Alanis.
Quando as meninas se jogavam no chão, ela ficava no alto. Quando iam pra ponta dos pés, ela caía de joelhos. Quando se atiravam pro lado, trombavam com ela que se lançava pro lado oposto. Os olhos, sempre imensos e verdes, deixavam claro que ela não fazia ideia do que estava fazendo. Foi paixão à primeira vista. Só pra mim, acho.Passamos algumas madrugadas conversando no ICQ ao som de Blink 182 e Goo Goo Dolls. De lá, migramos pro MSN. Do MSN pro Orkut, do Orkut pro inbox, do inbox pro SMS.
Começamos a namorar quando ela tinha 20 e eu 23, mas parecia que a vida começava ali. Vimos todas as séries. Algumas várias vezes. Fizemos todas as receitas existentes de risoto. Queimamos algumas panelas de comida porque a conversa tava boa. Escolhemos móveis sem pesquisar se eles passavam pela porta. Escrevemos juntos séries, peças de teatro, filmes. Fizemos uma dúzia de amigos novos e junto com eles o Porta dos Fundos. Fizemos mais de 50 curtas só nós dois —acabei de contar. Sofremos com os haters, rimos com os shippers. Viajamos o mundo dividindo o fone de ouvido. Das dez músicas que mais gosto, sete foi ela que me mostrou. As outras três foi ela que compôs. Aprendi o que era feminismo e também o que era cisgênero, gas lighting, heteronormatividade, mansplaining e outras palavras que o Word tá sublinhando de vermelho porque o Word não teve a sorte de ser casado com ela.
Um dia, terminamos. E não foi fácil. Choramos mais que no final de "How I Met Your Mother". Mais que no começo de "Up". Até hoje, não tem um lugar que eu vá em que alguém não diga, em algum momento: cadê ela? Parece que, pra sempre, ela vai fazer falta. Se ao menos a gente tivesse tido um filho, eu penso. Levaria pra sempre ela comigo.
Essa semana, pela primeira vez, vi o filme que a gente fez juntos —não por acaso uma história de amor. Achei que fosse chorar tudo de novo. E o que me deu foi uma felicidade muito profunda de ter vivido um grande amor na vida. E de ter esse amor documentado num filme —e em tantos vídeos, músicas e crônicas. Não falta nada.
12/09/2016 - Gregório Duvivier em sua coluna do Folha
31 de julho de 2016
Agora o mundo é aqui
Buda não foi um redentor ou um filho de Deus. Ele foi uma pessoa como Jenny.Quando ele nasceu, profetizaram a seu pai que seu filho dominaria o mundo ou renunciaria a ele, duas coisas de qualquer forma opostas. Ele renunciaria se conhecesse as misérias e o sofrimento do mundo. O pai queria impedir que isso acontecesse e, portanto, tentou proteger o filho do mundo fora do palácio - ao mesmo tempo que o cercava de toda sorte de alegrias e divertimentos. Mas Sidarta não se contentou com sua protegida existência de príncipe diante dos muros do palácio ele vira um ancião, um doente e um cadáver putrescente...O encontro com o ancião corcunda mostrou a Sidarta que a velhice é um destino do qual ninguém escapa. A visão do doente em sofrimento o fez questionar se seria possível estar a salvo da doença e da dor. E o cadáver lembrou ao jovem príncipe que todas as pessoas um dia morrerão e que o mais feliz dos homens está sujeito a transitoriedade da vida.Depois dessas experiências desoladoras, Sidarta encontrou um asceta com uma expressão feliz e radiante. Esse encontro o fez concluir que a vida em meio a riqueza e ao prazer era vazia e sem sentido. Então ele se perguntou: existe alguma coisa neste mundo que esteja a salvo da velhice, da doença e da morte?Sidarta estava tomado de compaixão por seus semelhantes e sentiu-se predestinado a mostrar aos homens uma saída para a dor. Mergulhado profundamente em seus pensamentos, ele voltou ao palácio e, ainda na mesma noite, renunciou à sua agradável vida de príncipe e se dedicou por uma vida errante.Depois de 6 anos peregrinando como é um asceta, Sidarta sentou-se ao pé de uma figueira às margens do rio Neranjara. E aqui - aqui ele viveu seu "despertar". Após viver trinta e cinco anos como um sonâmbulo, Sidarta descobriu que o sofrimento no mundo é causado pela sede de viver. Então ele se tornou "buda", aquele que despertou.
Trecho do conto Buda de Jostein Gaarder, retirado do livro Pássaro Raro
21 de julho de 2016
Ele está em nós / Dignos de maratona
House of cards é uma mini-série britânica produzida pela BBC no ano de 1990 que trata com maestria o jogo de poder na política. Tem-se como cenário a perversa Londres de parlamentares cuja tramas incluem chantagem, abuso de poder e manipulação midiática. Acompanhamos a saga do humilde e solícito vice-líder Francis Urquhart ao posto de maior importância do parlamento britânico: primeiro-ministro. Urquhuart é um homem dos bastidores que sabe como lidar com seus adversários, manipular suas fraquezas. Para conseguir seu objetivo, ele contou com a influência da imprensa, peça fundamental nesse jogo, uma vez que é por meio dela que se pode exaltar ou denegrir a imagem de alguém. A série possui apenas 4 episódios, todavia seu conteúdo permeia como as relações políticas funcionam por meio da história. A atemporalidade dessas relações evidencia também como o mal permeia em nós.
Atualização 14/08
Já no posto de primeiro-ministro, FU encontra na realeza um adversário a altura. O recente coroado rei entusias
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Jessica Jones não se destaca na multidão, na verdade, ela teme exatamente isso: ser considerada uma heroína.
Tinha uma certa falta de interesse em conhecer mais a fundo histórias sobre super-heróis. Sempre achei que esse tipo de dominação americana serve apenas para vangloriar o american way of life, assim vivia tranquilamente sem consumi-la. Tempos mudam, continuo a não priorizar essas histórias mas não resisti aos encantos de conhecer a história de Jessica Jones. Não ouso rotulá-la como heroína em ascensão ou anti-heroína, isso é o que menos importa pois ela não tem pretensão de defini-la, senão como preguiçosa, bagunceira, introvertida e amante de bebidas alcoólicas.
Na série da Netflix, ela está aprendendo a lidar com seu trauma mais recente, ocasionado pelo controlador de mentes Kilgrave.
13 episódios dignos de maratona, os vi em 2 dias.
16 de julho de 2016
Sobre a influência dos livros na nossa vida
Enquanto eu não ler Grande sertão: Veredas, eu não vou ser uma pessoa completa.
Presenciamos um holocausto sim!
O quanto nós brasileiros conhecemos do nosso país?
Ouso responder essa pergunta com uma palavra: pouco.
Em entrevista à UNIVESP TV, a autora relata sua experiência de escrever um livro sobre um dos capítulos mais cruéis de nossa história.
Ouso responder essa pergunta com uma palavra: pouco.
Infelizmente a nossa síndrome de cachorro vira-lata nos faz dar mais valor a tudo o que é criado fora do Brasil. Ainda temos desconfiança da qualidade dos nossos filmes, os quais a maioria só assistiu os que a Globo produziu, ainda temos desesperança de que possamos ter um país desenvolvido, ainda culpamos o outro de corrupto mas não refletimos sobre quais atitudes corruptas também fazemos, ainda aspiramos mudar para um país em que tudo funcione com a ideia de que vamos "funcionar" também.
Um dos maiores descasos que possamos ter é o descaso com a nossa história. Isso faz com que tragédias sejam esquecidas e uma delas foi durante muito tempo velada, a do hospício Colônia, localizado na cidade de Barbacena em Minas Gerais. Cerca de 60 mil pessoas foram mortas nesse local.
60 MIL PESSOAS FORAM MORTAS por serem marginalizadas pela sociedade, por não serem de acordo com o padrão, umas por apresentarem doenças mentais, outras por não terem outro local para viverem.
Ao se deparar com as fotografias acima, a jornalista Daniela Arbex ficou completada impactada. Todas elas foram tiradas em 1961 pelo fotógrafo Luiz Alfredo e retratam a realidade do hospício Colônia naquele período. As imagens, que ao primeiro momento se assemelham as de campos de concentração nazista, ainda são desconhecidas por grande parte de nossa população.
Para resgatar e compreender a história de vida dos internos e protagonistas das fotografias, a jornalista Daniela escreveu o livro Holocausto Brasileiro.
Em entrevista à UNIVESP TV, a autora relata sua experiência de escrever um livro sobre um dos capítulos mais cruéis de nossa história.
11 de junho de 2016
Uma quase resenha crítica
Escrever sobre A gosto, é escrever sobre o desenrolar das nossas relações com as pessoas ao nosso redor. Quantas tramas não vivemos por trás do maçante cotidiano? Dúvidas advindas do parceiro(a) amoroso(a) que dividimos nossa vida durante anos e nos vemos insatisfeitos(as), dúvidas dos conselhos dados por amigos mas que mais parecem servirem para eles mesmos, dúvidas quanto o que desejamos ser e o que os outros querem que sejamos, tantas dúvidas e poucas certezas.
Em meio a esse tumulto interno e externo, se está o enredo de A gosto. O rompimento de uma relação é o estopim da trama, e o espectador fica a par de como as duas pessoas lidam com o término e dão rumo a suas vidas entre os julgamentos dos amigos e o eterno conflito da expectativa x realidade. Tudo isso envolto de declamações de textos de Clarice Lispector, Fernando Pessoa, Cora Coralina, entre outros grandes da literatura.
15 de maio de 2016
Sobre mudanças
"Não deixe o curso te definir."
"Tenha coragem de ser quem você é."
"Não tem problema experimentar."
"A gente não é unilateral, a gente é uma caixinha que transborda."
12 de maio de 2016
Não pense simplistamente
Moro em uma cidade do interior de São Paulo, localizada no Vale do Paraíba, uma região próspera por ficar no eixo São Paulo-Rio. Contudo, o índice de violência aqui é preocupante uma vez que estamos passando por uma onda de assaltos. Levando em conta a minha breve existência, e a minha mais breve ainda consciência quanto aos acontecimentos referentes a cidade, posso ressaltar que não é novidade os assaltos onde moro. Certamente essa realidade se assemelha a diversas cidades do Brasil afora. Esse fato nos faz questionar sobre modos de reduzir a violência, até mesmo evitá-las. Respostas imediatas levam em consideração a atuação de fatores externos, como a polícia, secretários, vereadores, prefeito etc. Respostas simplistas abrem brecha para disseminar discurso de ódio respaldado em "a opinião é minha e pronto". O que quero frisar aqui é que para amenizar a violência é necessário a entendermos primeiro, com isso quero dizer que precisamos conhecer o sistema afim de lutarmos contra ele. Muito se fala da superlotação das cadeias brasileiras, mas o que a população pede quando se está em uma onda de assaltos? Que os criminosos sejam presos, ora! E o que esse pensamento diz sobre a população? Que ela é alienada! Mesmo tendo uma ideia bem vaga de quão precária é a situação carcerária, ainda se quer que ela piore para que se tenha a ilusão de estar seguro. Já está mais que na hora de pessoas que espalham que "bandido bom é bandido morto", "tem que ir pra cadeia mesmo pra aprender" saberem que o sistema prisional brasileiro está um descaso e que enquanto assim continuar, todas as medidas que tomarem pra tentar amenizar a violência serão APENAS paliativas, ou seja, todo bendito ano os dados da violência irão se repetir e repetir sucessivamente.
Vários fatores culminaram para que chegássemos a um precário sistema prisional. Entretanto, o abandono, a falta de investimento e o descaso do poder público ao longo dos anos vieram por agravar ainda mais o caos chamado sistema prisional brasileiro.
No Brasil, a situação do sistema carcerário é tão precária que no Estado do Espírito Santo chegaram a ser utilizados contêineres como celas, tendo em vista a superpopulação do presídio. Tal fato ocorreu no município de Serra, Região Metropolitana de Vitória. A unidade prisional tinha capacidade para abrigar 144 presos, mas encontrava-se com 306 presos. Sem dúvida, os direitos e garantias individuais que o preso possui não foram respeitados. Dessa forma, os presos são literalmente tratados como objetos imprestáveis que jogamos em depósitos, isto é, em contêineres. Afinal, para parte de uma sociedade alienada, o preso não passa de "lixo humano".
A superlotação e suas nefastas consequências encontram-se visíveis a todos da sociedade, não sendo preciso ser um expert em sistema prisional para concluir o evidente déficit de vagas existentes nos estabelecimentos penais. A título de exemplo podemos destacar os dados fornecidos pelo Departamento Penitenciário Nacional, que indicam um déficit de mais de 180.000 vagas em todo o País. São quase 500 mil presos no país, em um sistema prisional que só tem capacidade para 260 mil detentos
Mais em: http://revistavisaojuridica.uol.com.br/advogados-leis-jurisprudencia/59/artigo213019-1.asp
21 de abril de 2016
Duas pessoas não se lembram de uma coisa da mesma forma
Uns dizem que se trata de um livro fantasioso, outros de relatos infantis incertos, fico com a segunda opção, mas não desprezo a primeira.
O oceano no fim do caminho é um livro que narra as aventuras de um garoto de 7 anos ao passar por diversos acontecimentos estranhos em um curto período de tempo. Como se tem um narrador-personagem, nos atemos a apenas uma visão da realidade, o que me fez estabelecer um paralelo com A menina que não sabia ler. Na verdade, esses dois livros se assemelham bastante ao meu ver, posso citar os seguintes parâmetros para tal: protagonistas infantis, conflito entre realidade e fantasia e figura da governanta má. A premissa dos dois livros tem como enfase acontecimentos fantásticos que só poderiam ser compreendidos se você tivesse uma certa "pureza juvenil", fica evidente o quão os adultos se tornam "ruins" conforme crescem. Não diz respeito ao conformismo advindo com o desenvolvimento do homem e sim como isso afeta sua vida e seus relacionamentos.
Particularmente, discordo da exaltação desse livro que foi feita no Skoob, por exemplo. A nota dada (4.2) a meu parecer é muito alta. É um livro fluído, mas com trechos bem arrastados, com uma escrita simples, enredo confuso em alguns momentos, principalmente nos que transpõe o leitor para o "mundo da fantasia".
Agora sobre a estória, acredito que o narrador-personagem só se recorda de sua aventura aos 7 anos quando está na Fazenda, é como se aquele lugar trouxesse a tona todas as reminiscências, visto que ele não se lembra de ter voltado ao local, embora as senhoras o tenham relembrado que a alguns anos atras, ele as visitou. Trata-se, portanto, de aludir ao leitor seu inconsciente quanto criança, uma época em que vivemos a mercê da imaginação e usufruímos dela do melhor modo possível.
O oceano no fim do caminho é um livro que narra as aventuras de um garoto de 7 anos ao passar por diversos acontecimentos estranhos em um curto período de tempo. Como se tem um narrador-personagem, nos atemos a apenas uma visão da realidade, o que me fez estabelecer um paralelo com A menina que não sabia ler. Na verdade, esses dois livros se assemelham bastante ao meu ver, posso citar os seguintes parâmetros para tal: protagonistas infantis, conflito entre realidade e fantasia e figura da governanta má. A premissa dos dois livros tem como enfase acontecimentos fantásticos que só poderiam ser compreendidos se você tivesse uma certa "pureza juvenil", fica evidente o quão os adultos se tornam "ruins" conforme crescem. Não diz respeito ao conformismo advindo com o desenvolvimento do homem e sim como isso afeta sua vida e seus relacionamentos.
Particularmente, discordo da exaltação desse livro que foi feita no Skoob, por exemplo. A nota dada (4.2) a meu parecer é muito alta. É um livro fluído, mas com trechos bem arrastados, com uma escrita simples, enredo confuso em alguns momentos, principalmente nos que transpõe o leitor para o "mundo da fantasia".
Agora sobre a estória, acredito que o narrador-personagem só se recorda de sua aventura aos 7 anos quando está na Fazenda, é como se aquele lugar trouxesse a tona todas as reminiscências, visto que ele não se lembra de ter voltado ao local, embora as senhoras o tenham relembrado que a alguns anos atras, ele as visitou. Trata-se, portanto, de aludir ao leitor seu inconsciente quanto criança, uma época em que vivemos a mercê da imaginação e usufruímos dela do melhor modo possível.
20 de abril de 2016
USE THAT
Use that negativity that you have in your life to make yourself better.
You are the one who defines who are you.
13 de abril de 2016
Sobre o ciúme
IAGO - "Bobagens, passageiras como o ar, são para os ciumentos provas tão fortes quanto provas da Sagrada Escritura.[...]As ideias são, por natureza, venenos que, a princípio, incomodam pouco, mas que, assim que começam a agir sobre o sangue, queimam como enxofre..."
OTELO, o mouro de Veneza de William Shakespeare
23 de março de 2016
O mal do mundo é
Muitas dúvidas advém da comparação, ora sentimos menosprezados, ora vangloriosos porque somos ou possuímos o que o outro quer. Um famoso filósofo já escreveu que o mal do mundo é a comparação. Sim, caro leitor, o mal do mundo é a comparação, visto que é por meio dela que tomamos decisões errôneas acerca de nós mesmos e dos acontecimentos ao nosso redor. Por achar que comparar coisas, pessoas, estamos apenas checando a área, acabamos por nos deixar influenciar por ideias de superioridade e inferioridade. Toda comparação carrega consigo algo que é intrínseco apenas a uma pessoa, um amontoado de resultados de determinada situação.
O que seríamos se não nos comparássemos uns com os outros?
16 de março de 2016
O que se pode fazer nas férias
As férias que tanto almejei chegaram! E agora, o que fazer?
Essa foi uma das questões que assolou minha alma na segunda metade de Dezembro de 2015. Depois de ter um ano de muitas mudanças, muitos aprendizados, algumas reviravoltas e uma pitada de desespero acompanhado de agonia, o que eu iria fazer nos 2 meses seguintes? A priori tudo o que queria era descansar, sair totalmente daquela rotina maluca em que estava e apenas dormir.
Feito isso, colocar em prática alguns projetos era a segunda coisa a fazer, desse modo, o projeto alimentação saudável sem carne foi se concretizando, aos poucos fui tirando a carne de minha alimentação e não como carne vermelha nem branca desde o dia 4 de Janeiro de 2016, ou seja, hoje faz 73 DIAS QUE EU NÃO COMO CARNE!!!! Ainda vou escrever aqui sobre como está sendo minha transição ao vegetarismo: desafios e benefícios.
Outra atividade proveitosa de minhas férias foi assistir séries. Comecei pelo mundo agitado e conturbado de THE L WORD, passando pela fantástica e surpreendente série francesa LES REVENANTS, acompanhando a Bolívia sendo dominado pela filosofia "Plata o Plomo" de Pablo Escobar em NARCOS e agora estou desvendado a trama e aprendendo HOW TO GET AWAY WITH MURDER.
E quanto aos filmes? Assisti muitos, alguns nem lembro o nome, mas os principais foram 2001 UMA ODISSEIA NO ESPAÇO, GAROTA DINAMARQUESA, O ILUMINADO, O TURISTA.
Contudo, nessas férias não me dediquei muito a uma das minhas atividades prediletas que é a leitura de livros. Apenas li O NATAL DE POIROT, RELIGIÃO PARA ATEUS e O TORREÃO. No momento estou a me deleitar com o livro O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO COM A SUA VIDA? que é um apanhado de palestras, ensinamentos de Krishnamurti.
A minha diversão não adveio somente de ficar em casa, também sai com meus amigos, fomos a barzinhos, diversas vezes ao shopping bater papo, ao divertido e conflituoso carnaval de São Luís do Paraitinga, baile a fantasia e minhas férias terminaram com chave de ouro:
SHOW DA ANITTA!!!!!!!!!!!!!!!
Essa foi uma das questões que assolou minha alma na segunda metade de Dezembro de 2015. Depois de ter um ano de muitas mudanças, muitos aprendizados, algumas reviravoltas e uma pitada de desespero acompanhado de agonia, o que eu iria fazer nos 2 meses seguintes? A priori tudo o que queria era descansar, sair totalmente daquela rotina maluca em que estava e apenas dormir.
Feito isso, colocar em prática alguns projetos era a segunda coisa a fazer, desse modo, o projeto alimentação saudável sem carne foi se concretizando, aos poucos fui tirando a carne de minha alimentação e não como carne vermelha nem branca desde o dia 4 de Janeiro de 2016, ou seja, hoje faz 73 DIAS QUE EU NÃO COMO CARNE!!!! Ainda vou escrever aqui sobre como está sendo minha transição ao vegetarismo: desafios e benefícios.
Outra atividade proveitosa de minhas férias foi assistir séries. Comecei pelo mundo agitado e conturbado de THE L WORD, passando pela fantástica e surpreendente série francesa LES REVENANTS, acompanhando a Bolívia sendo dominado pela filosofia "Plata o Plomo" de Pablo Escobar em NARCOS e agora estou desvendado a trama e aprendendo HOW TO GET AWAY WITH MURDER.
E quanto aos filmes? Assisti muitos, alguns nem lembro o nome, mas os principais foram 2001 UMA ODISSEIA NO ESPAÇO, GAROTA DINAMARQUESA, O ILUMINADO, O TURISTA.
Contudo, nessas férias não me dediquei muito a uma das minhas atividades prediletas que é a leitura de livros. Apenas li O NATAL DE POIROT, RELIGIÃO PARA ATEUS e O TORREÃO. No momento estou a me deleitar com o livro O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO COM A SUA VIDA? que é um apanhado de palestras, ensinamentos de Krishnamurti.
A minha diversão não adveio somente de ficar em casa, também sai com meus amigos, fomos a barzinhos, diversas vezes ao shopping bater papo, ao divertido e conflituoso carnaval de São Luís do Paraitinga, baile a fantasia e minhas férias terminaram com chave de ouro:
SHOW DA ANITTA!!!!!!!!!!!!!!!
22 de fevereiro de 2016
15 de fevereiro de 2016
O documentário é sobre o que?
Ontem assisti a um documentário maravilhoso por meio da indicação de uma pessoa a qual conheci há poucos dias mas que já pudemos perceber gostos em comum. "Quem sou eu?", "De onde vim?", "O que é felicidade?", "O que é sofrimento?", tais questões permeiam as quase uma hora e meia do filme, sendo respondidas por vários pensadores, questionadores de nosso amado país. Com uma gama diversa de reflexões a cerca de uma pergunta, somos convidados a expandir nossos conhecimentos além de buscar nossas próprias respostas para as perguntais mais aterrorizantes e fascinantes de nossas existências. Para saborear o quão interessante esse filme pode ser, aqui estão algumas quotes:
"Será que o meu propósito externo está em sintonia com o interno?"
"Tudo um dia será nada e esse nada será o tudo que tanto procuramos encontrar."
"A vida não tem sentido nenhum, mas não é proibido dar-lhe algum."
"O ser humano é um projeto infinito."
"Se tem uma coisa que EU DETESTO é ter uma vida formol."
"Eu sou inadequado, e agora? Vai deprimir ou vai rir?"
Sobre o medo da felicidade: "É como se a iminência de tragédia chegasse perto de nós cada vez que nos sentimos muito felizes."
"Nossa raiva é capaz de mover o mundo."
"Quando seguramos uma coisa, nós nos limitamos."
"A causa do sofrimento e do mal é a ignorância."
"Eu mesmo não me classifico."
"A minha dúvida é uma coisa muito lega. O QUE IMPORTA, na verdade, é o QUERER SABER e não o responder tudo."
"A vida é uma eterna mochila."
14 de fevereiro de 2016
Achado
Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.
Mais do que de máquinas, precisamos de
humanidade. Mais do que de inteligência,
precisamos de afeição e doçura. Sem essas
virtudes, a vida será de violência e tudo será
perdido.
Charles Chaplin
About 2001
10 de fevereiro de 2016
Filmes 2015
Após assistir alguns filmes em 2015, escrevi pequenos comentários sobre eles e agora os reuni para não esquecê-los.
22 de janeiro de 2016
15 de janeiro de 2016
Sobre ser "turistas de suas próprias imaginações"
"As pessoas estão entediadas. Estão mortas! Vá a um shopping e dê uma olhada nas caras. Fiz isso durante anos...Ia de carro para os shoppings no fim de semana e ficava lá sentado, só observando as pessoas, tentando entender aquilo. O que está faltando? Do que elas precisam? Qual será o próximo passo? E então, um dia, entendi: imaginação. Perdemos a capacidade de inventar coisas. Passamos esse trabalho para a indústria do entretenimento, e ficamos sentados por aí babando na camisa, enquanto eles fazem isso por nós."
O TORREÃO, JENNIFER EGAN
12 de janeiro de 2016
Conselho do PC
"Na verdade, as pessoas não pensam muito sobre você. É você que pensa muito sobre o que as pessoas estão pensando sobre você, porque simplesmente você fica se julgando o tempo todo"
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