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15 de fevereiro de 2016

O documentário é sobre o que?

Ontem assisti a um documentário maravilhoso por meio da indicação de uma pessoa a qual conheci há poucos dias mas que já pudemos perceber gostos em comum. "Quem sou eu?", "De onde vim?", "O que é felicidade?", "O que é sofrimento?", tais questões permeiam as quase uma hora e meia do filme, sendo respondidas por vários pensadores, questionadores de nosso amado país. Com uma gama diversa de reflexões a cerca de uma pergunta, somos convidados a expandir nossos conhecimentos além de buscar nossas próprias respostas para as perguntais mais aterrorizantes e fascinantes de nossas existências. Para saborear o quão interessante esse filme pode ser, aqui estão algumas quotes:

"Será que o meu propósito externo está em sintonia com o interno?"

"Tudo um dia será nada e esse nada será o tudo que tanto procuramos encontrar."

"A vida não tem sentido nenhum, mas não é proibido dar-lhe algum."

"O ser humano é um projeto infinito."

"Se tem uma coisa que EU DETESTO é ter uma vida formol."

"Eu sou inadequado, e agora? Vai deprimir ou vai rir?"

Sobre o medo da felicidade: "É como se a iminência de tragédia chegasse perto de nós cada vez que nos sentimos muito felizes."

"Nossa raiva é capaz de mover o mundo."

"Quando seguramos uma coisa, nós nos limitamos."

"A causa do sofrimento e do mal é a ignorância."

"Eu mesmo não me classifico."

"A minha dúvida é uma coisa muito lega. O QUE IMPORTA, na verdade, é o QUERER SABER e não o responder tudo."

"A vida é uma eterna mochila."
 


 P.S.:Algumas quotes foram tiradas do contexto propositalmente com o intuito de você desfrutar o filme em vez de se agarrar a apenas umas letrinhas que escrevi aqui.

6 de setembro de 2014

Gato travesso



O Gato de Shrödinger representa a impossibilidade 

de se resolver um problema sem ter a chance de 

confirmá-lo como seria se não acontecesse! 

Kéfren

A física quântica ou mecânica quântica é algo que realmente funciona no mundo sub-atômico. E vale milhões: toda eletrônica moderna tem a mecânica quântica como base. 

Entretanto, as idéias da física quântica NÃO podem ser transportadas para o mundo macroscópico, pois isso leva a paradoxos reais, inexplicáveis. 

Para ilustrar a incompletude da teoria quântica, Schrödinger idealizou este experimento (chamado hoje Gato de Schrödinger), mostrando que a sobreposição de estados de um núcleo que pode ou não decair (que é indubitavelmente um fenômeno quântico), se ligado à vida do gato através de um veneno, conduz a um absurdo: um gato simultaneamente vivo e morto ! 


O gato está dentro da caixa, e não podemos vê-lo sem abrir a caixa. Se o contador tiver detectado radiação, então o gato está dentro da caixa, morto... Se o contador não tiver detectado, então o gato está vivíssimo. 
O problema é que não podemos abrir a caixa. Ela está "lacrada e protegida contra incoerência quântica induzida pelo ambiente". Se abrirmos a caixa, então o contador liberaria o veneno e mataria o gato... Dessa forma, não podemos abrir a caixa, senão o gato vivo morrerá, e não podemos abrir a caixa, pois ele pode já estar morto, mas não saberíamos se ele já estivesse, uma vez que morreria no momento em que abríssemos...

Quando não se pode ter certeza total de que o gato está vivo ou morto, dizemos que ele está vivo e morto. 

22 de abril de 2014

Só alguém muito alienado pode acreditar em si mesmo

O senhor acredita em Deus?

Sim. Mas já fui ateu por muito tempo. Quando digo que acredito em Deus, é porque acho essa uma das hipóteses mais elegantes em relação, por exemplo, à origem do universo. Não é que eu rejeite o acaso ou a violência implícitos no darwinismo – pelo contrário. Mas considero que o conceito de Deus na tradição ocidental é, em termos filosóficos, muito sofisticado. Lembro-me sempre de algo que o escritor inglês Chesterton dizia: não há problema em não acreditar em Deus; o problema é que quem deixa de acreditar em Deus começa a acreditar em qualquer outra bobagem, seja na história, na ciência ou sem si mesmo, que é a coisa mais brega de todas. Só alguém muito alienado pode acreditar em si mesmo. Minha posição teológica não é óbvia e confunde muito as pessoas. Opero no debate público assumindo os riscos do niilista. Quase nunca lanço a hipótese de Deus no debate moral, filosófico ou político. Do ponto de vista político, a importância que vejo na religião é outra. Para mim, ela é uma fonte de hábitos morais, e historicamente oferece resistência à tendência do Estado moderno de querer fazer a cura das almas, como se dizia na Idade Média – querer se meter na vida moral das pessoas.

Por que o senhor deixou de ser ateu?

Comecei a achar o ateísmo aborrecido, do ponto de vista filosófico. A hipótese de Deus bíblico, na qual estamos ligados a um enredo e um drama morais muito maiores do que o átomo, me atraiu. Sou basicamente pessimista, cético, descrente, quase na fronteira da melancolia. Mas tenho sorte sem merecê-la. Percebo uma certa beleza, uma certa misericórdia no mundo, que não consigo deduzir a partir dos seres humanos, tampouco de mim mesmo. Tenho a clara sensação de que às vezes acontecem milagres. Só encontro isso na tradição teológica.

Entrevista de Pondé concedida a revista Veja.

13 de fevereiro de 2014

Sobre o niilismo

Niilismo é uma palavra que foge ao significado áspero do dicionário. É um conceito que foi aprofundado nas visões de diversos filósofos ao decorrer da história e que ainda hoje é motivo de contradição e confusão. Um dos primeiros livros, senão o primeiro, a retratar o niilismo foi Pais e Filhos, do escrito russo Ivan Turguêniev. Uma obra-prima que narra a trajetória existencial de um jovem que se propõe a ter uma vida niilista. Como forma de pensamento tem como principal característica a negação. Negação da arte, negação de valores superiores, negação do progresso da humanidade, negação da vida, tudo é negado no niilismo. Nietzsche deu ao niilismo, ao menos, 4 definições: negativo, reativo, passivo e ativo.

Esquema utilizado na palestra de Roberto Machado dada ao Café Filosófico.



A última definição que não é apresentado no esquema acima é a de niilismo ativo, este entrelaça com a ideia de Eterno Retorno do filósofo. O niilista ativo consegue atingir sua "máxima potência ao afirmar alegremente o eterno eterno". "Vive como se cada instante do tempo, cada instante da vida fosse retornar eternamente". Tendo coragem de suportar este fardo e amando a vida intensamente, Nietzsche se refere a esse amor como Amor Fati.

 Página Glossário

Nietzsche não se refere a uma aceitação passiva da vida nem ao destino como algo já definido. Ele se refere a uma acolhida dos acontecimentos de forma ativa, ou seja, experimentar mesmo o que eu chamaria, com Pessoa, de desassossego e não sucumbir a isso. Acolher acontecimentos no sentido de que, mesmo as piores coisas, possam disparar outras viabilidades pro corpo não padecer. Nesse sentido, a Grande Saúde para Nietzsche engloba, também, ascensões e depressões. Nietzsche foi um cara que viveu doente, mas nunca deixou de produzir. Aliás, era nas épocas de maior adoecimento físico que conseguia elaborar as mais incríveis obras filosóficas. Então, destino para Nietzsche não é algo a que se deva ficar submetido. Acolher o destino é ser ativo na construção dele. Destino como processo, não bem como ponto final. É transformar o que se vive na possibilidade, sempre, de fazer da vida uma potência, de fazer o corpo se movimentar... nunca passividade.
Comentário de Vanessa Monteiro sobre o conceito de Nietzsche.

Para que se possa compreender a ideia de Eterno Retorno do filósofo alemão, sugiro que assista ao vídeo abaixo e depois responda a pergunta que está no final da postagem.







Você vive hoje uma vida que gostaria de viver por toda a eternidade?

2 de setembro de 2013

Test of Three

In ancient Greece (469-399 BC), Socrates was widely lauded for his wisdom. One day the great philosopher came upon an acquintance who ran up to him excitedly and said, "Socrates, do you know what I just heard about one of your students?"

"Wait a moment", Socrates replied. "Before you tell me I'd like you to pass a little test. It's called the Test of Three."

"Test of Three?"

"That's right", Socrates continued. "Before you talk to me about my student let's take a moment to test what you're going to say. The first test is Truth. Have you made absolutely sure that what you are about to tell me is true?"

"No." The man said. "Actually I just heard about it."

"All right", said Socrates. "So you don't really know if it's true or not. Now let's try the second test, the test of Goodness. Is what you are about to tell me about my student something good?"

"No. On the contrary ..."

"So", Socrates continued, "you want to tell me something bad about him even though you're not certain it's true?"

The man shrugged, a little embarassed.

Sorates continued. "You may still pass though, because there is a third test, the filter of Usefulness. Is what you want to tell me about my student going to be useful to me?"

"No. Not really."
"Well", concluded Socrates, "If what you want to tell me is neither True nor Good nor even Useful, why tell it to me at all?"


Philosophy ( philo- "loving" + sophia "knowledge" )

2 de agosto de 2013

Ser importante





"Você e eu sabemos que vamos morrer, desse ponto de vista não é a morte que me importa porque ela é um fato.
                            O que me importa é:                                       o que eu faço da minha vida enquanto minha morte não acontece para que essa vida não seja banal, superficial, fútil, pequena?"

14 de junho de 2013

Zitate


Lernen besteht in einem Erinnern von Informationen,     die bereits seit Generationen in der Seele des Menschen wohnen. 

Sokrates

24 de maio de 2013

Distâncias



"Conseguimos diminuir a distância que nos separa
das partes mais longínquas do mundo,
 por meio da aviação a jato, 
da tevê a cabo, da Internet, 
mas não conseguimos 
diminuir a distância que nos separa do nosso próximo. 

quando conversamos com as pessoas, 
falamos sobre tudo: 
futebol, automobilismo,
política, moda, comida, 
mas falamos apenas superficialmente sobre nós mesmos 
e, assim,
não conhecemos o outro e ele também não nos conhece!"

Antônio Suárez Abreu, 
A arte de argumentar: Gerenciando Razão e Emoção


20 de abril de 2013

Sobre a observação


"Existe a possibilidade de aprendermos algo essencial sobre a vida sem corrermos os riscos próprios do ato de experimentar? Eu penso que sim.
Podemos aprender muito ao observarmos o modo de ser e os movimentos dos que nos cercam: somos únicos, mas temos muito em comum com os outros.
Se formos atentos ao que acontece com os casais à nossa volta, podemos aprender muito acerca de como deveríamos agir numa relação amorosa.
Podemos levar em consideração os conselhos vindos daquelas pessoas que respeitamos. Com isso, poderemos evitar inúmeros erros e sofrimentos.
Podemos aprender por meio da leitura de livros: antes de nos envolvermos num novo negócio é bom tentar aprender ao máximo com especialistas.
Aprender através da observação daquilo que acontece com as outras pessoas (e do resultado de suas experiências) é um bom sinal de sabedoria."

Flávio Gikovate 

O que...


O que move seu coração?


14 de abril de 2013

O bem e o mal


"Nenhuma época é apenas boa ou ruim. O bem e o mal perpassam toda a história da humanidade como dois fios de uma meada. E frequentemente se entrelaçam um no outro."
Jostein Gaarder, O Mundo de Sofia 

5 de abril de 2013

A Nova Ordem Mundial


" O mal-estar, para usar um eufemismo, com que  o ser humano comum se põe frente ao mundo da política tem a ver especificamente com a  condição italiana ou é de algum modo inevitável?

Acredito que atualmente estamos frente a um fenômeno novo que vai além do desencanto e da desconfiança recíproca entre os cidadãos e o poder e tem a ver com o planeta inteiro. O que está acontecendo é uma transformação radical das categorias com que estávamos acostumados a pensar a política. A nova ordem do poder mundial funda-se sobre um modelo de governamentalidade que se define como democrática, mas que nada tem a ver com o que este termo significava em Atenas. E que este modelo seja, do ponto de vista do poder, mais  econômico e funcional é provado pelo fato de que foi adotado também por aqueles regimes que até poucos anos atrás eram ditaduras. É mais simples manipular a opinião das pessoas através da mídia e da televisão do que dever impor em cada oportunidade as próprias decisões com a violência. As formas da política por nós conhecidas – o Estado nacional, a soberania, a participação democrática, os partidos políticos, o direito internacional – já chegaram ao fim da sua história. Elas continuam vivas como formas vazias, mas a política tem hoje a forma de uma “economia”, a saber, de um governo das coisas e dos seres humanos. A tarefa que nos espera consiste, portanto, em pensar integralmente, de cabo a cabo, aquilo que até agora havíamos definido com a expressão, de resto pouco clara em si mesma, “vida política”."



Giorgio Agamben, em entrevista concedida a Peppe Salvà e publicada por Ragusa News,                    16-08-2012.
A tradução é de Selvino  J. Assmann, professor de Filosofia do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC e postada no blog da boitempo.

29 de março de 2013

Sucesso e Felicidade


Acho que por trás do dinheiro, do sucesso, da carreira brilhante, o que as pessoas querem mesmo se resumem numa palavra: "felicidade". Gostaria que alguém falasse mais sobre isso.
Um leitor


        Numa experiência realizada pela Universidade Estadual de Nova York, foi pedido às pessoas para completarem a frase: "Estou feliz por não ser..." Depois de repetir esse exercício cinco vezes, mais de 90% das pessoas experimentou um aumento da sensação de satisfação pessoal. Na saída, eram amáveis, colaboradoras e solidárias entre si e com alguns desconhecidos, que a ajudaram espontaneamente. Algumas horas depois, os pesquisadores convidaram o mesmo grupo a completar a frase oposta: "Gostaria de ser..." Dessa vez as pessoas saíram mais insatisfeitas com sua vida.
         Muitas vezes levamos a nossa vida seguindo frases do gênero: "Falta-me isto. Tenho direito aquilo. Ninguém me dá atenção. Ninguém pensa em mim." Mas não é com esse tipo de lamentações e de pretensões que podemos conquistar a felicidade. Pelo contrário, assim nos predispomos para uma existência de decepções e de sofrimento.
         No fundo, trata-se de reconhecer aquilo que somos, de aprender a dizer sim à realidade e de aceitá-la sem resistências inúteis, fazendo o que afirmou certa vez o psicanalista Carl Jung: "Só depois de estar doente compreendi como é importante dizer sim ao destino. Assim, forjamos um 'eu' que não se deixa esmagar quando acontecem coisas incompreensíveis. Um 'eu' que resiste, que suporta a verdade e que é capaz de enfrentar o medo e o destino." 
         O fato de que acontecem coisas ruins  a todos é evidente, mas é ainda mais evidente verificar que a todos sempre falta algo. Mas, se continuarmos a dizer a nós mesmo que nunca teremos tudo e mantivermos essa atitude negativa, vamos sentir mais ainda essa "falta". Deveríamos esquecer o que nos falta e alegrarmo-nos com o que temos, até porque a felicidade é desejar aquilo que conseguimos, enquanto o sucesso é conseguir aquilo que desejamos. Diz um provérbio oriental: "Quando temos a possibilidade de abraçar o mundo inteiro com o pensamento e de nos comunicarmos com todas as criaturas luminosas que o povoam, o que é que ainda nos falta para compreendermos que somos ricos e abençoados e que podemos até ajudar os outros? Enquanto não se lembrarem de fazer os outros felizes, vocês nunca serão felizes.”.
         Não é por acaso que um dos motivos mais frequentes das desavenças matrimoniais é o fato de as pessoas se casarem à procura da própria felicidade, enquanto o objetivo do casamento deveria ser fazer feliz o outro.

Revista Cidade Nova 
Edição: Abril de 2012
Pasquale Ionata

14 de fevereiro de 2013

Sobre a sabedoria


Os mais sábios não se apegam demais às suas ideias: eles sabem que, mais dia, menos dia, elas serão substituídas por outras mais abrangentes.

Os mais sábios amam aprender e se aprimorar. Assim sendo, não têm medo do tédio, que só atinge os que estão satisfeitos com o que já sabem.

Por gostarem de aprender, os mais sábios mantém seus cérebros "porosos", permeáveis a qualquer ideia nova que lhes pareça rica e promissora.

Os que buscam a sabedoria devem ficar atentos a tudo o que ouvem, venha de quem vier: quem sabe ouvir sempre pode "cruzar" com uma boa ideia.

Muita gente finge que ouve; porém, está mesmo é buscando argumentos para desqualificar o que está sendo dito: Perdem boa chance de aprender.

Quanto mais sábia for a pessoa, mais será capaz de se despojar de suas ideias e tentar ouvir o que diz o interlocutor com a máxima isenção.

Flávio Gikovate 

5 de fevereiro de 2013

Sobre a Liberdade



"Os que se "inventam" com mais criatividade e ousadia são criaturas mais livres e isso tem um desdobramento: são responsáveis por seus atos!
Se fôssemos o fruto puro da genética e de determinadas funções cerebrais não seríamos responsáveis pelos nossos atos: seríamos "marionetes".
 
Os que se inventam usam o espaço de liberdade que possuem para definir valores morais, estilo de vida, postura social, relações sociais etc.
 
Quando uma pessoa define seus próprios valores, ela se torna referência para si mesma: cabe a ela honrar as normas que ela mesma construiu!
 
A norma que deriva da ideia de que liberdade implica responsabilidade é: não posso mais acusar a nada e a ninguém por meus erros e fracassos.
 
Os que "são eles mesmos", os mais livres e responsáveis por seus atos, têm o dedo apontado para si e não para os outros: assumem seus erros."
 
 
 

25 de outubro de 2012

Café Filosófico 25/12/2012



Nunca diga te amo se não te interessa. 
Nunca fale sobre sentimentos se estes não existem. 
Nunca toque numa vida se não pretende romper um coração. 
Nunca olhe nos olhos de alguém se não quiser vê-lo se derramar em lágrimas por causa de ti.
A coisa mais cruel que alguém pode fazer é permitir que alguém se apaixone por você quando você não pretende fazer o mesmo. 

Mário Quintana —




28 de julho de 2012

Aforismos sobre a Sabedoria da Vida



Ter em si mesmo o bastante para não precisar da sociedade já é uma grande felicidade, porque quase todo o sofrimento provém justamente da sociedade, e a tranquilidade espiritual, que, depois da saúde, constitui o elemento mais essencial da nossa felicidade, é ameaçada por ela e, portanto, não pode subsistir sem uma dose significativa de solidão.


Arthur Schopenhauer 

22 de julho de 2012

SOBRE O DESEJO DE "SER ESPECIAL"

Queremos ser indivíduos únicos.
Fomos educados e programados para sermos especiais...
Ser apenas alguém comum é uma visão aterrorizante.
Mas talvez este seja um erro fundamental em nossas existências.
A demanda por tal diferenciação, pelo “ser especial”, nos desloca da possibilidade de olharmos para nós mesmos...
Pela necessidade sermos “diferentes”, acabamos nos tornando absolutamente banais e iguais.
É disso que se alimenta a sociedade de consumo: costumize... personalize... diferencie...
Por estranho que pareça, simplesmente, “não querer ser diferente”, pode, talvez, abrir possibilidades que nos permitam pensar como “ser si mesmo”.
E afinal, o que significa “ser si mesmo”?
Ou ainda como “tornar-se aquilo que se é’?
 
[Lembranças a Nietzsche e a Foucault].

Leandro Chevitarese  

16 de julho de 2012

Mais sobre o amor



"Muitos se decepcionam com o amor por esperar dele emoções intensas e permanentes: a frustração é fruto de não se saber bem o que é o amor.

Amor é o sentimento que temos por quem nos traz paz e harmonia. Só implica emoções fortes na fase inicial, quando o encantamento se instala, o que produz forte impacto e gera emoções intensas associadas ao medo derivado das dúvidas e inseguranças. 
O fim da paixão não é o fim do encantamento amoroso; corresponde ao fim da fase de maior medo e insegurança. A serenidade que surge é ótima!
O amor tem emoções delicadas e sutis: saudade, dor discreta derivada da ausência do amado; e também emoção e prazer no momento do reencontro."

 Flávio Gikovate

9 de julho de 2012

Sobre a preguiça

"A permanência em uma zona de conforto que nos faz estagnado pode estar em oposição aos nossos reais interesses racionais; isso é destrutivo.
 Vejo forte componente autodestrutivo naquelas pessoas que se deixam levar pela preguiça: curtem hoje e comprometem dramaticamente o futuro!
 A preguiça pode ser natural. Porém, o desejo de aprender e de prosperar, que deriva da razão, também é própria da nossa condição de humanos.
 É muito útil saber que todos temos um inimigo interno que age de forma sutil: a consciência de sua existência permite que limitemos sua ação.
 É preciso muita cautela com nossos processos destrutivos: eles nos propõem um presente muito gratificante, mas a "conta" virá lá na frente."


"Não convém excluir a hipótese de sabotagem quando estamos movidos pela preguiça; e também quando adiamos a execução dos deveres mais chatos.
 Processos autodestrutivos podem nos levar a relaxar justamente quando estamos obtendo ótimos resultados; e é aí que conviria acelerar mais!
Processos autodestrutivos derivam do medo da felicidade: ao conseguirmos grandes avanços temos a sensação de que algo de ruim nos acontecerá.

O medo da felicidade está na raiz das superstições. Isso porque temos uma sensação íntima de que os sucessos aumentam as chances de desgraça.

 Ainda não conseguimos nos desvencilhar totalmente dos nossos mecanismos autodestrutivos. Por ora, só podemos tentar limitar seus estragos! "


Flávio Gikovate