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22 de julho de 2012

SOBRE O DESEJO DE "SER ESPECIAL"

Queremos ser indivíduos únicos.
Fomos educados e programados para sermos especiais...
Ser apenas alguém comum é uma visão aterrorizante.
Mas talvez este seja um erro fundamental em nossas existências.
A demanda por tal diferenciação, pelo “ser especial”, nos desloca da possibilidade de olharmos para nós mesmos...
Pela necessidade sermos “diferentes”, acabamos nos tornando absolutamente banais e iguais.
É disso que se alimenta a sociedade de consumo: costumize... personalize... diferencie...
Por estranho que pareça, simplesmente, “não querer ser diferente”, pode, talvez, abrir possibilidades que nos permitam pensar como “ser si mesmo”.
E afinal, o que significa “ser si mesmo”?
Ou ainda como “tornar-se aquilo que se é’?
 
[Lembranças a Nietzsche e a Foucault].

Leandro Chevitarese  

13 de junho de 2012

SOBRE O “DIREITO” À (Des)INFORMAÇÃO

Temos direito a informação. Estamos conscientes disso. E não poderia ser diferente em uma sociedade democrática de direito.
Mas gostaria de perguntar se isso não se tornou um “dever”...
Parece que hoje em dia, todos nos exigem saber de “tudo”.
Eis o consumismo da informação.
Reformulando, poderíamos perguntar: mas afinal, temos direito a “desinformação”?
Posso eu não saber? Não por que isso me seja negado como possibilidade, mas por que eu não quero saber?
Tenho esse direito? Posso escolher não estar informado sobre aquilo que não me interessa? Tenho direito de não ser “invadido” por notícias que não me interessam? Ou seremos sempre culpabilizados por “não saber”? Enfim, tenho direito à ignorância?

Leandro Chevitarese 

22 de maio de 2012

Sobre o aniversário


O que há para comemorar?
Por que come
moramos aniversários?

Tem-se a ideia de que nascer é sempre uma dádiva, um valor absoluto, um bem em si.


Mas ninguém parece querer se perguntar que tipo de vida vale a pena ser vivida, ou ainda, de que modo viver...

E se a vida for uma tragédia? Não seria o caso de lamentarmos termos nascido? 
Não poderia ser um erro haver nascido? Enfim, o que haveria para comemorar em haver nascido?

Talvez possamos dizer que o grande valor a ser comemorado é exatamente isso, ou seja, a possibilidade de pensar sobre o valor da vida e sobre seu sentido, sobre o que queremos e podemos ser e fazer no mundo... e para isso temos que ter nascido e precisamos estar vivos.

Eis então o que há para comemorar: a possibilidade de pensar..."
Fazer um bom uso da própria capacidade de pensar: é isso que pode nos tornar livres nesse mundo! 


Leandro Chevitarese