Coragem é a capacidade de enfrentar o medo.
Cortella
"Nenhuma época é apenas boa ou ruim. O bem e o mal perpassam toda a história da humanidade como dois fios de uma meada. E frequentemente se entrelaçam um no outro."
Acho que por trás do dinheiro, do sucesso, da carreira brilhante, o que as pessoas querem mesmo se resumem numa palavra: "felicidade". Gostaria que alguém falasse mais sobre isso.
Desejo é termo que não se aplica só ao sexo. Desejamos todos os objetos que não temos e cuja posse supomos que nos tornaria bem mais felizes.
O curioso do desejo é que a simples posse de um objeto por tanto tempo desejado faz com que esse bem material perca boa parte do seu encanto.
Penso que existe prazeres que não se esgotam, tanto sentimentais como materiais: a pessoa pode achar graça e amar seu cônjuge por toda vida!
Uma pessoa pode ter desejado adquirir uma determinada casa que, depois de comprada, pode ser fonte de prazer e curtição ao longo de décadas.
Alguns acham que sempre estamos numa das duas fases: a frustração por desejar e não possuir; ou o tédio por já possuir. Isso não é verdade!
Aqueles que pensam no desejo como algo sempre legal também estão distantes da realidade: conforme o caso, o que se conquista nunca satisfaz.
" Outro sinal de sabedoria é ter ciência de que conseguimos fazer perguntas que somos incapazes de responder: nosso poder mental é limitado!
Os mais sábios não se entristecem por não termos acesso às respostas definitivas acerca da vida e da morte: toleram bem essa "grande dúvida".
Há décadas tenho dito que somos filhos do "Mistério", que pode ser chamado de Deus ou de puro acaso. Prefiro não dar outro nome ao Mistério!
Sendo filhos do Mistério, temos usado nossa potência psíquica para aprender o máximo sobre tudo: é essa inquietação intelectual que nos move.
É intrigante pensar que essa "grande dúvida" é a força que move toda nossa atividade criativa, de onde nascem as artes, ciências, religiões.
Se soubéssemos todas as respostas, se tivéssemos acesso ao que o futuro nos reserva, creio que estaríamos estagnados e mergulhados no tédio."
Temos direito a informação. Estamos conscientes disso. E não poderia ser diferente em uma sociedade democrática de direito.
Mas gostaria de perguntar se isso não se tornou um “dever”...
Parece que hoje em dia, todos nos exigem saber de “tudo”.
Eis o consumismo da informação.
Reformulando, poderíamos perguntar: mas afinal, temos direito a “desinformação”?
Posso eu não saber? Não por que isso me seja negado como possibilidade, mas por que eu não quero saber?
Tenho esse direito? Posso escolher não estar informado sobre aquilo que não me interessa? Tenho direito de não ser “invadido” por notícias que não me interessam? Ou seremos sempre culpabilizados por “não saber”? Enfim, tenho direito à ignorância?
O que há para comemorar?
Por que comemoramos aniversários?
Tem-se a ideia de que nascer é sempre uma dádiva, um valor absoluto, um bem em si.
Mas ninguém parece querer se perguntar que tipo de vida vale a pena ser vivida, ou ainda, de que modo viver...
E se a vida for uma tragédia? Não seria o caso de lamentarmos termos nascido?Não poderia ser um erro haver nascido? Enfim, o que haveria para comemorar em haver nascido?
Talvez possamos dizer que o grande valor a ser comemorado é exatamente isso, ou seja, a possibilidade de pensar sobre o valor da vida e sobre seu sentido, sobre o que queremos e podemos ser e fazer no mundo... e para isso temos que ter nascido e precisamos estar vivos.
Eis então o que há para comemorar: a possibilidade de pensar..."Fazer um bom uso da própria capacidade de pensar: é isso que pode nos tornar livres nesse mundo!