24 de maio de 2013

Distâncias



"Conseguimos diminuir a distância que nos separa
das partes mais longínquas do mundo,
 por meio da aviação a jato, 
da tevê a cabo, da Internet, 
mas não conseguimos 
diminuir a distância que nos separa do nosso próximo. 

quando conversamos com as pessoas, 
falamos sobre tudo: 
futebol, automobilismo,
política, moda, comida, 
mas falamos apenas superficialmente sobre nós mesmos 
e, assim,
não conhecemos o outro e ele também não nos conhece!"

Antônio Suárez Abreu, 
A arte de argumentar: Gerenciando Razão e Emoção


22 de maio de 2013

A roupa faz a diferença?

Sem maiores preocupações com o vestir, o médico conversava descontraído com o enfermeiro e o motorista da ambulância, quando uma senhora elegante chega de forma ríspida e pergunta:
   - Vocês sabem onde está o médico do hospital?
Com tranquilidade, o médico respondeu:
   - Boa tarde, senhora! Em que posso ser útil?
Ríspida, retorquiu:
   - Será que o senhor é surdo? Não ouviu que estou procurando pelo médico?
Mantendo-se calmo, contestou:
   - Boa tarde senhora! O médico sou eu, em que posso ajudá-la?
   - Como? O senhor? Com essa roupa?
   - Ah, senhora. Desculpe-me. Pensei que estivesse procurando um médico e não uma vestimenta.
   - Oh, desculpe, doutor. Boa tarde. É que...vestido assim, o senhor nem parece um médico.
   - Veja bem as coisas como são - disse o médico. - As vestes parecem não dizer muitas coisas, pois quando a vi chegando tão bem vestida, tão elegante, pensei que fosse sorrir educadamente para todos e depois daria um simpaticíssimo "boa tarde". Como se vê, as roupas nem sempre dizem muito.


Um dos mais belos trajes da alma é a educação. Sabemos que a roupa faz a diferença, mas o que não podemos negar é falta de educação, arrogância e falta de humildade. Pessoas que se julgam donas do mundo e da verdade, grosseira e outras "qualidades" derrubam qualquer vestimenta. Bastam, às vezes, apenas cinco minutos de conversa para que o ouro da vestimenta se transforme em barro.
   
   Educação é que faz a diferença!

Jornal Guaypacaré - Lorena/SP
D4 - Edição nº1448
16 a 22 de março de 2013
LionsCLUBLORENA

Djalma Bezerra

20 de abril de 2013

Sobre a observação


"Existe a possibilidade de aprendermos algo essencial sobre a vida sem corrermos os riscos próprios do ato de experimentar? Eu penso que sim.
Podemos aprender muito ao observarmos o modo de ser e os movimentos dos que nos cercam: somos únicos, mas temos muito em comum com os outros.
Se formos atentos ao que acontece com os casais à nossa volta, podemos aprender muito acerca de como deveríamos agir numa relação amorosa.
Podemos levar em consideração os conselhos vindos daquelas pessoas que respeitamos. Com isso, poderemos evitar inúmeros erros e sofrimentos.
Podemos aprender por meio da leitura de livros: antes de nos envolvermos num novo negócio é bom tentar aprender ao máximo com especialistas.
Aprender através da observação daquilo que acontece com as outras pessoas (e do resultado de suas experiências) é um bom sinal de sabedoria."

Flávio Gikovate 

O que...


O que move seu coração?


18 de abril de 2013

A milenar arte de educar dos povos indígenas


Daniel Munduruku · Lorena, SP
19/04/2010

Educar é dar sentido. É dar sentido ao nosso estar no mundo. Nossos corpos precisam desse sentido para se realizar plenamente. Mas também nossos corpos são vazios de imagens e elas precisam fazer parte da nossa mente para possamos dar respostas ao que se nos apresenta diuturnamente como desafios da existência. É por isso que não basta dar alimento apenas ao corpo, é preciso também alimentar a alma, o espírito. Sem comida o corpo enfraquece e sem sentido é a alma que se entrega ao vazio da existência.
A educação tradicional entre os povos indígenas se preocupa com esta tríplice necessidade: do corpo, da mente e do espírito. É uma preocupação que entende o corpo como algo prenhe de necessidades para poder se manter vivo.
Esta visão de educação é sustentada pela idéia de que cada ser humano precisa viver intensamente seu momento. A criança indígena é, então, provocada para ser radicalmente criança. Não se pergunta nunca a ela o que pretende ser quando crescer. Ela sabe que nada será se não viver plenamente seu ser infantil. Nada será por que já é. Não precisará esperar crescer para ser alguém. Para ela é apresentado o desafio de viver plenamente seu ser infantil para que depois, quando estiver vivendo outra fase da vida, não se sinta vazia de infância. A ela são oferecidas atividades educativas para que aprenda enquanto brinca e brinque enquanto aprende num processo contínuo que irá fazê-la perceber que tudo faz parte de uma grande teia que se une ao infinito.
Num mesmo movimento ela vai sendo introduzida no universo espiritual. Embalada pelas histórias contadas pelos velhos da aldeia, a criança e o jovem passam a perceber que em seu corpo moram os sentidos da existência. Este sentido é oferecido pela memória ancestral concentrada nos velhos contadores de histórias. São eles que atualizam o passado e o fazem se encontrar com o presente mostrando à comunidade a presença do saber imemorial capaz de dar sentido ao estar no mundo.
Este processo todo é alimentado por rituais que lembram o passado para significar o presente. São movimentos corpóreos embalados por cantos e danças repetidos muitas vezes com o objetivo de “manter o céu suspenso”. A dança lembra a necessidade de sermos gratos aos espíritos criadores; contam que precisamos de sentidos para viver dignamente; ordena a existência. Cada grupo de idade ritualiza a seu modo. Cada um se sente responsável pelo todo, pela unidade, pela continuidade social.
Educar é, portanto, envolver. É revelar. É significar. É mostrar os sentidos da existência. É dar presente. E não acaba quando a pessoa se “forma”. Não existe formatura. Quem vive o presente está sempre em processo.
É por isso que a criança será sempre criança. Plenamente criança. Essa é a garantia de que o jovem será jovem no seu momento. O homem adulto viverá sua fase de vida sem saudades da infância, pois ele a viveu plenamente. O mesmo diga-se dos velhos. O que cada um traz dentro de si é a alegria e as dores que viveram em cada momento. Isso não se apaga de dentro deles, mas é o que os mantém ligados ao agora.
Resumo da ópera: A educação tradicional indígena tem dado certo. As pessoas se sentem completas quando percebem que a completude só é possível num contexto social, coletivo. Cada fase porque passa um indígena – desde a mais tenra idade – alimenta um olhar para o todo, pois o conhecimento que aprendem e vivem é um saber holístico que não se desdobra em mil especialidades, mas compreende o humano como uma unidade integrada a um Todo maior e Único.
Olhar os povos indígenas brasileiros a partir de uma visão rasa de produção, de consumo, de riqueza e pobreza é, no mínimo, esvaziar os sentidos que buscam para si.
Pense nisso.

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Xipat Oboré (Tudo de Bom!)