12 de novembro de 2016

C'est la arte

Recentemente assisti a um vídeo, de um youtuber ímpar, no qual revivi diversos sentimentos acerca de minhas convicções. Um dos meus papéis de parede tem a seguinte citação inscrita: "A vida começa todos os dias" do grande escritor Érico Veríssimo. Tais palavras evidenciam que a cada dia temos a possibilidade de iniciar algo, continuar, parar, nos transformar.
A arte é, para mim, novas lentes, as quais por meio delas vivencio histórias fascinantes, conheço personagens inesquecíveis e tem o papel de questionar nossa realidade, nossas certezas e aguçar nossas dúvidas.
Queridos leitores, gostaria de indicar-lhes um filme, Os Intocáveis. Tirei como lição a importância de se manter ao nosso lado pessoas que nos queiram bem, nos engrandece, nos faz felizes mesmo em silêncio. A amizade é uma das ligações mais poderosas que se pode ter com alguém, é um elo baseado em admiração, respeito, lealdade, histórias gostosas.
Aproveito também para escrever sobre Paraísos Artificiais, produção brasileira recheada de encontros e desencontros, bela fotografia, enredo em círculo. Ainda preciso reassistir O homem duplicado, visto que é necessário recomendar aquilo que, primeiramente, se compreende.

23 de setembro de 2016

"A vida é batalha, é desafio"

Cidade de Deus foi o filme brasileiro com maior renome internacional, nosso país ainda é visto pelo prisma dessa obra-prima, contudo, qual foi o legado trazido aos atores? É essa pergunta a ser respondida no documentário, Cidade de Deus 10 anos depois.
Assisti a esse filme nesse ano, influenciada pela fama mundial, visto que estava a pesquisar grandes produções. Fui conhecer uma realidade tão próxima a mim bem depois de descobrir a definição de niilismo para Turgueniev, desbravar a guerra da independência dos EUA em O Patriota e entender a crítica capitalista do Rammstein em sua língua original.
Uma das declarações mais impactantes dada no documentário foi a do Seu Jorge ao ressaltar que os negros do nosso país continuam marginalizados pela sociedade. Após 10 anos, a mentalidade era a mesma. Os papéis dados aos negros na imprensa continuam minoritários e estereotipados. Essa constatação me entristece profundamente. Tenho 20 anos e já vivenciei o suficiente para desconstruir as idealizações referentes ao nosso modelo de sociedade. Minha criticidade se aguçou com os anos e cada vez mais quero alcançar a lucidez. Somente por meio dela poderei reagir de modo efetivo as forças provenientes das injustiças e contradições.
Estou lendo o livro Mayombe de Pepetela. Que leitura agradável! Estou aprendendo sobre a vida, a que é cheia de desencontros amorosos, conflitos, estabelecimento de vínculos, mobilidade.

"O contrário da vida é o imobilismo."

"Não são os golpes sofridos que doem, é o sentimento da derrota ou de que se foi covarde."

"Uma nuvem isolada tem a individualidade que lhe é dada pela sua mutabilidade inquieta e caprichosa; esta individualidade per-de na massa que se concentra e que vale seu peso, pela sua potência selvagem."


12 de setembro de 2016

Para se ter uma segunda doce

Ao me deparar com esse lindo relato, gostaria de guardá-lo aqui, onde poderá ser lembrado e revivido por meio de um sorriso doce.

Conheci ela no jazz. Essa frase pode parecer romântica se você imaginar alguém tocando Cole Porter num subsolo esfumaçado de Nova York. Mas o jazz em questão era aquela aula de dança que todas as garotas faziam nos anos 1990 –onde ouvia-se tudo menos jazz. Ela fazia jazz. Minha irmã fazia jazz. Eu não fazia jazz mas ia buscar minha irmã no jazz. Ela estava lá. Dançando. Nunca vou me esquecer: a música era "You Oughta Know", da Alanis.
Quando as meninas se jogavam no chão, ela ficava no alto. Quando iam pra ponta dos pés, ela caía de joelhos. Quando se atiravam pro lado, trombavam com ela que se lançava pro lado oposto. Os olhos, sempre imensos e verdes, deixavam claro que ela não fazia ideia do que estava fazendo. Foi paixão à primeira vista. Só pra mim, acho.Passamos algumas madrugadas conversando no ICQ ao som de Blink 182 e Goo Goo Dolls. De lá, migramos pro MSN. Do MSN pro Orkut, do Orkut pro inbox, do inbox pro SMS.
Começamos a namorar quando ela tinha 20 e eu 23, mas parecia que a vida começava ali. Vimos todas as séries. Algumas várias vezes. Fizemos todas as receitas existentes de risoto. Queimamos algumas panelas de comida porque a conversa tava boa. Escolhemos móveis sem pesquisar se eles passavam pela porta. Escrevemos juntos séries, peças de teatro, filmes. Fizemos uma dúzia de amigos novos e junto com eles o Porta dos Fundos. Fizemos mais de 50 curtas só nós dois —acabei de contar. Sofremos com os haters, rimos com os shippers. Viajamos o mundo dividindo o fone de ouvido. Das dez músicas que mais gosto, sete foi ela que me mostrou. As outras três foi ela que compôs. Aprendi o que era feminismo e também o que era cisgênero, gas lighting, heteronormatividade, mansplaining e outras palavras que o Word tá sublinhando de vermelho porque o Word não teve a sorte de ser casado com ela.
Um dia, terminamos. E não foi fácil. Choramos mais que no final de "How I Met Your Mother". Mais que no começo de "Up". Até hoje, não tem um lugar que eu vá em que alguém não diga, em algum momento: cadê ela? Parece que, pra sempre, ela vai fazer falta. Se ao menos a gente tivesse tido um filho, eu penso. Levaria pra sempre ela comigo.
Essa semana, pela primeira vez, vi o filme que a gente fez juntos —não por acaso uma história de amor. Achei que fosse chorar tudo de novo. E o que me deu foi uma felicidade muito profunda de ter vivido um grande amor na vida. E de ter esse amor documentado num filme —e em tantos vídeos, músicas e crônicas. Não falta nada.

12/09/2016 - Gregório Duvivier em sua coluna do Folha

31 de julho de 2016

Agora o mundo é aqui

Buda não foi um redentor ou um filho de Deus. Ele foi uma pessoa como Jenny. 
Quando ele nasceu, profetizaram a seu pai que seu filho dominaria o mundo ou renunciaria a ele, duas coisas de qualquer forma opostas. Ele renunciaria se conhecesse as misérias e o sofrimento do mundo. O pai queria impedir que isso acontecesse e, portanto, tentou proteger o filho do mundo fora do palácio - ao mesmo tempo que o cercava de toda sorte de alegrias e divertimentos. Mas Sidarta não se contentou com sua protegida existência de príncipe diante dos muros do palácio ele vira um ancião, um doente e um cadáver putrescente...
O encontro com o ancião corcunda mostrou a Sidarta que a velhice é um destino do qual ninguém escapa. A visão do doente em sofrimento o fez questionar se seria possível estar a salvo da doença e da dor. E o cadáver lembrou ao jovem príncipe que todas as pessoas um dia morrerão e que o mais feliz dos homens está sujeito a transitoriedade da vida.
Depois dessas experiências desoladoras, Sidarta encontrou um asceta com uma expressão feliz e radiante. Esse encontro o fez concluir que a vida em meio a riqueza e ao prazer era vazia e sem sentido. Então ele se perguntou: existe alguma coisa neste mundo que esteja a salvo da velhice, da doença e da morte?
Sidarta estava tomado de compaixão por seus semelhantes e sentiu-se predestinado a mostrar aos homens uma saída para a dor. Mergulhado profundamente em seus pensamentos, ele voltou ao palácio e, ainda na mesma noite, renunciou à sua agradável vida de príncipe e se dedicou por uma vida errante.
Depois de 6 anos peregrinando como é um asceta, Sidarta sentou-se ao pé de uma figueira às margens do rio Neranjara. E aqui - aqui ele viveu seu "despertar". Após viver trinta e cinco anos como um sonâmbulo, Sidarta descobriu que o sofrimento no mundo é causado pela sede de viver. Então ele se tornou "buda", aquele que despertou. 


Trecho do conto Buda de Jostein Gaarder, retirado do livro Pássaro Raro 

21 de julho de 2016

Ele está em nós / Dignos de maratona

House of cards é uma mini-série britânica produzida pela BBC no ano de 1990 que trata com maestria o jogo de poder na política. Tem-se como cenário a perversa Londres de parlamentares cuja tramas incluem chantagem, abuso de poder e manipulação midiática. Acompanhamos a saga do humilde e solícito vice-líder Francis Urquhart ao posto de maior importância do parlamento britânico: primeiro-ministro. Urquhuart é um homem dos bastidores que sabe como lidar com seus adversários, manipular suas fraquezas. Para conseguir seu objetivo, ele contou com a influência da imprensa, peça fundamental nesse jogo, uma vez que é por meio dela que se pode exaltar ou denegrir a imagem de alguém. A série possui apenas 4 episódios, todavia seu conteúdo permeia como as relações políticas funcionam por meio da história. A atemporalidade dessas relações evidencia também como o mal permeia em nós. 

Atualização 14/08

Já no posto de primeiro-ministro, FU encontra na realeza um adversário a altura. O recente coroado rei entusias
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Jessica Jones não se destaca na multidão, na verdade, ela teme exatamente isso: ser considerada uma heroína. 
Tinha uma certa falta de interesse em conhecer mais a fundo histórias sobre super-heróis. Sempre achei que esse tipo de dominação americana serve apenas para vangloriar o american way of life, assim vivia tranquilamente sem consumi-la. Tempos mudam, continuo a não priorizar essas histórias mas não resisti aos encantos de conhecer a história de Jessica Jones. Não ouso rotulá-la como heroína em ascensão ou anti-heroína, isso é o que  menos importa pois ela não tem pretensão de defini-la, senão como preguiçosa, bagunceira, introvertida e amante de bebidas alcoólicas. 
Na série da Netflix, ela está aprendendo a lidar com seu trauma mais recente, ocasionado pelo controlador de mentes Kilgrave. 
13 episódios dignos de maratona, os vi em 2 dias.