4 de agosto de 2013

Sobre a influência



"- A sua influência é, realmente, tão má como diz Basílio, Lorde Henry?
- Não existe influência boa, Sr. Gray. Toda influência é imoral...imoral do ponto de vista científico.
- Por quê?
- Porque influenciar uma pessoa é transmitir-lhe a nossa própria alma. Ela já não pensa com seus pensamentos naturais, nem arde com suas paixões naturais. As suas virtudes não são reais para ela. Os seus pecados, se é que existem pecados, são emprestados. Ela se converte em eco de uma música alheia, em ator de um papel que não escrito para ela. A finalidade da vida é o desenvolvimento próprio. Realizar completamente a própria natureza, é o que devemos buscar. O mal é que, hoje em dia, as pessoas têm medo de si mesmas. Esqueceram-se do mais elevado de todos o deveres, o dever para consigo mesmas. São caritativas, naturalmente. Alimentam o faminto e vestem o andrajoso. Deixam, contudo, que as suas almas morras de fome e andem nuas. O valor nos abandonou. Talvez nunca o tenhamos tido, realmente. O temor da sociedade, que é a base da moral; o temos de Deus, que é o segredo da religião...são os dois princípios que nos regem. E, no entanto...
- Vire um pouco a cabeça para a direita, Dorian, como um bom rapaz - disse o pintor, que absorto no seu trabalho, acabava de surpreender no rosto do adolescente certo ar que, antes, nunca havia visto.
- E, no entanto - continuou Lorde Henry, com a sua voz grave e musical e com aquela graciosa flexão de mão que sempre o caracteriza, desde a época do Eton -, creio que, se um homem quisesse viver a sua vida em plena e completamente, se quisesse dar forma a todo o sentimento seu, expressão a cada pensamento, realidade a todo sonho, acredito que o mundo receberia tal impulso novo de alegria que esqueceríamos todas as enfermidades medievais, para voltar ao ideal grego, a algo mais belo e mais rico, talvez, que esse ideal. Contudo, o mais corajoso dentre nós tem medo de si mesmo. A mutilação do selvagem tem sua trágica sobrevivência na própria renúncia que corrompe as nossas vidas. Somos castigados por nossas renúncias. cada impulso que tentamos aniquilar germina em nossa mente e nos envenena. Pecando, o corpo se liberta do seu pecado, porque a ação é um meio de purificação. Nada resta então a não ser a lembrança de uma prazer a volúpia de um remorso. O único meio de livrar-se de uma tentação é ceder a ela. Se lhe resistirmos, as nossas almas ficarão doentes, desejando as coisas que se proibiram a si mesmas, e, além disso, sentirão desejo por aquilo que umas leis monstruosas fizeram monstruoso e ilegal. Já se disse que os grandes acontecimentos tem lugar no cérebro. É no cérebro e somente nele que tem também lugar os grandes pecados do mundo. O senhor mesmo, Gray, com a sua juventude cor-de-rosa e a sua adolescência alvirrósea, terá tido paixões que o tenham atemorizado, pensamentos que o tenham enchido de terror, sonhos despertos e sonhos adormecidos, cuja simples lembrança poderia tingir de vergonha suas faces...."

(In. O retrato de Dorian Gray. Rio de Janeiro:Abril,1972, p.29-31)

2 de agosto de 2013

Ser importante





"Você e eu sabemos que vamos morrer, desse ponto de vista não é a morte que me importa porque ela é um fato.
                            O que me importa é:                                       o que eu faço da minha vida enquanto minha morte não acontece para que essa vida não seja banal, superficial, fútil, pequena?"

28 de julho de 2013

Last Mistakes


Novas chances de cometer erros ao longo dos próximos meses que serão os últimos do Ensino Médio.
E no final eu responderei se valeu ou não a pena e porquê não ou sim. 
Eu gostaria apenas de ler a maior quantidade possível de livros nesses meses para libertar-me cada vez mais da ignorância de ser uma aluna do Ensino Médio. Desejo que esses meses sejam os mais demorados e breves possíveis, os mais vagarosos e mais ligeiros que já se passaram. Enfim eu quero vagarosamente ir trilhando o caminho de tornar-me quem sou com os olhos bem abertos e o coração disposto a correr riscos.

Autismo

Os sintomas apresentados nessa síndrome,apesar de parecerem admitir uma certa homogeneidade no que se refere a prejuízos no estabelecimento de interações, na linguagem e no comportamento, podem exibir muitas variações de uma criança para outra.
Toda essa variedade de sintomas entre uma criança e outra  contribui possivelmente para que se torne mais difícil traçar um perfil único e exclusivo de um transtorno com o autismo. 


Acima estão os 14 sintomas cardeais para o reconhecimento do transtorno autista. 
Se uma pessoa apresentar pelo menos cinco desses sintomas de forma persistente e em idade inadequada, pode ser formulada a hipótese de autismo e a família deve ser orientada a buscar um médico especialista.


O transtorno autista apresenta-se como uma desordem no desenvolvimento que se manifesta desde o nascimento, de maneira grave e por toda a vida. Acomete certa de 20 entre cada 10 mil nascidos e é quatro vezes mais comum entre meninos do que entre meninas. Quando a menina é acometida, normalmente, os sintomas são mais graves.




O autismo é caracterizado por respostas anormais a estímulos auditivos e/ou visuais e por problemas graves na compreensão da linguagem oral. A fala custa a aparecer e, quando isso acontece, podemos observar a ecolalia(repetição das palavras), o uso inadequado de pronomes, estrutura gramatical e grande inabilidade para usar termos abstratos.

Observamos também uma grande dificuldade de desenvolver relacionamentos interpessoais, pois os autistas não se interessam pelas outras pessoas, dispensam o contrato humano e apresentam também dificuldade no desenvolvimento de outras habilidades sociais, principalmente na linguagem verbal e na corpórea (gestos, mímicas etc). Esses problemas de relacionamento social aparecem antes dos cinco anos de idade, caracterizando-se, por exemplo, por uma incapacidade de desenvolver o contato olho a olho, de participar de jogos em grupo, de manter contatos físicos etc. A pessoa com autismo pode, ás vezes, aparecer com um choro sem controlo ou dar gargalhadas, sorrisos, aparentemente sem causa. É  comum não apresentar medo do perigo (altura ou automóveis se locomovendo) e fazer movimentos corporais como o "balançar".


“O autismo não é um transtorno com uma causa, mas um grupo de transtornos relacionados com muitas causas diferentes” (Autismo: Manual para as Famílias).

A inteligência pode variar muito nessa população. Certa de 70% das pessoas com transtorno autista apresentam um RETARDO DO DESENVOLVIMENTO NEUROPSICOMOTOR - do mais leve até o severo. Outros 20% podem apresentar uma inteligência dentro dos padrões de normalidade e uns 10%  têm eventualmente uma inteligência acima da normalidade, definindo o que nós chamamos de AUTISMO DE ALTO FUNCIONAMENTO, no qual notamos uma outra forma de mente, estrutura em padrões diferentes dos normais característicos do ser humano. 


O Autismo de Alto Funcionamento, também conhecido como Transtorno de Asperger, tem como características essenciais o "comprometimento grave e persistente da interação social. [...] e no desenvolvimento de padrões restritivos e repetitivos de comportamento, interesses e atividade". A linguagem desenvolve de forma normal, o que permite diferenciar esse transtorno dos demais, nos quais há atrasos e até mesmo a perda da fala. Como exemplo, podemos citar o personagem de Dustin Hoffman no filme Rain Man

TRATAMENTO

Os profissionais das áreas envolvidas devem usar procedimentos e técnicas em comum, discutindo com os pais sobre as necessidades da criança e sobre o que ela consegue entender e executar. Para isso, sugerimos eleger um profissional de apoio, com o objetivo de organizar e orientar o tratamento, assim como analisar a evolução do quadro do paciente.

O tratamento medicamentoso passa a ser importante, principalmente quando a pessoa com autismo apresenta problemas de comportamento de difícil controle. Muitos pais oferecem uma forte resistência a esse tratamento por temerem reações adversas e por não receberem orientações e informações mais precisas. No entanto, vários tipos de medicamento já comprovaram alguns benefícios recompensadores, ajudando a melhorar a convivência familiar, a diminuir a hiperatividade assim como os comportamento auto-agressivos, as obsessões etc. Esse tratamento poderá servir de complemente, beneficiando as terapias diversas.

Devemos lembrar que as crianças com autismo sempre apresentam avanços com ou sem tratamentos, mas tratar o autismo é ter como meta principal minimizar a dependência, garantindo, assim, sua autonomia, e isso ela não consegue sozinha.

Créditos:
Facion, José Raimundo.
     Transtorno do desenvolvimento e do comportamento
Páginas: 26, 27, 28, 53 e 63.

7 de julho de 2013

"Vazio"


A migração dos valores na direção das aparências reforça o exibicionismo: prevalecem os prazeres da vaidade, efêmeros e que deixam um vazio.

É sempre bom lembrar que a origem etimológica da palavra "vaidade" é a mesma de "vão" ou de "vazio": um prazer efêmero que redunda em nada!

Sacrificar uma vida interior rica (que nos alimenta de autoestima e nos dá a sensação de dever cumprido) em nome da vaidade é grave engano.

Não é por acaso que, nesses tempos em que reina o "ter" e o "aparecer" as pessoas estejam frustradas, bebendo (e se drogando) mais e mais.

Em um período em que a aparência é o mais importante, prevalecem a inveja, a rivalidade e competição violentas: não estamos no bom caminho!

Os que não pretendem aderir ao que está aí tendem a buscar para si outro caminho: o de uma vida interior rica em projetos e valores sólidos.

Flávio Gikovate