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3 de março de 2013

Noite de mil anos


     O nosso calendário inicia-se com o nascimento de Jesus. Três dias após a sua morte espalham-se boatos de sua ressurreição e a partir de então houve a expansão da fé cristã.

  • Até o século III esta fé foi proibida, sendo reconhecida como religião pelo Império Romano em 313;
  • Em 380, o cristianismo se tornou a religião oficial de todo o Império Romano;
  • No ano de 395, o Império Romano foi dividido: passou a haver, então, um Império Romano do Ocidente, tendo Roma como seu centro, e um Império Romano do Oriente, cuja capital era a nova cidade de Constantinopla;
  • Em 410, Roma foi pilhada por povos bárbaros, e em 476 todo o Império Romano do Ocidente ruiu;
  • O Império Romano do Oriente continuou a existir até 1453, ano em que os turcos tomaram Constantinopla.
Apesar de ter sido para o homem renascentista a Idade Média uma única e longa "noite de  mil anos", houve também os que considerassem um período de "mil anos de crescimento". Durante a idade Média surgiram as diferentes nações, com suas cidades e fortalezas, sua música própria e suas narrativas populares.



O que seria dos contos de fada, dos nibelungos, dos cruzados, das bruxas, dos príncipes e das princesas se não tivesse existido a Idade Média?





A Filosofia Medieval gira em torno de tais questões:

- Qual era a relação entre os filósofos gregos e as doutrinas da Bíblia?

- Havia uma contradição entre a Bíblia e a razão, ou será que a fé e o conhecimento podiam conviver em harmonia?


Santo Agostinho



       Considerado um dos mais importantes filósofos cristãos, Santo Agostinho nasceu num período de transição entre o final da Antiguidade e os primórdios da Idade Média. Neste período de decadência do Império Romano, havia diversas tendências filosóficas e religiosas, desde os filósofos gregos até a doutrina cristã. 
        Antes de se converter ao cristianismo, Santo Agostinho pesquisou várias destas tendências vigentes na época. A partir destes conhecimentos, ao tornar-se cristão fundiu algumas destas ideias “cristianizando-as”. Para a teoria das ideias de Platão, Santo Agostinho explicava que Deus havia criado o mundo a partir do nada, e este é um ensinamento da Bíblia. Os gregos por sua vez, tendiam para a visão segundo a qual o mundo sempre tinha existido. Para Agostinho, antes de Deus ter criado o mundo, as “ideias” já existiam dentro da Sua cabeça. Ele atribuiu a Deus as ideias eternas e com isto salvou a concepção platônica das ideias eternas.
        E quanto ao neoplatonismo, Agostinho aplica-o a sua doutrina sobre o mal. Como Plotino, ele também achava que o mal era a “ausência” de Deus. Assim, o mal não teria uma existência autônoma, mas seria algo que não é. Isto porque Deus só criou o bem. Para Agostinho, o mal surge da desobediência do homem. Ou, para dizê-lo com suas próprias palavras: “a ‘boa vontade’ é ‘obra de Deus’, a ‘má vontade’ é a ‘ausência da obra de Deus’”.

O que acontece com a alma quando morremos?

         Para Agostinho, toda a raça humana fora amaldiçoada depois do pecado original. Defendia que a vida humana era uma realização da vontade de Deus, e que os homens, mesmo antes de nascerem, já estavam predestinados à salvação ou à perdição. Dizia que ainda que recebessem os sacramentos e se submetessem à vontade da Igreja davam provas de sua predestinação à salvação eterna.
     A teologia de Santo Agostinho influenciou toda a teologia ocidental posterior, especialmente com sua visão psicológica profunda e com o sentido de absoluta dependência do homem, em relação à graça divina, elaborado em sua doutrina da predestinação, da igreja e dos sacramentos.

São Tomás de Aquino



         O maior e mais importante filósofo da Baixa Idade Média foi São Tomás de Aquino, que viveu entre 1225 e 1274. Ele era originário da pequena cidade de Aquino, entre Roma e Nápoles. 
           São Tomás de Aquino está entre os que tentaram conciliar a filosofia de Aristóteles com o cristianismo. Ele não acreditava num paradoxo irreconciliável entre aquilo que nos diz a filosofia ou a razão, de um lado, e a revelação ou a fé cristão do outro. Muito frequentemente, o cristianismo e a filosofia falam da mesma coisa.
São Tomás de Aquino quer mostrar que existe apenas uma verdade. Uma parte da verdade nós podemos reconhecer, portanto, através da razão e da observação. Uma segunda parte da verdade nos foi revelada por Deus através da Bíblia.
           Para São Tomás de Aquino, Deus havia se revelado aos homens através da Bíblia e da razão. O mesmo vale para o campo da moral. Podemos ler na Bíblia como devemos viver segundo a vontade de Deus. Mas Deus também nos dotou de uma consciência, que nos habilita a distinguir "naturalmente" o certo do errado. Assim, "dois caminhos" levam também à vida moral. Sabemos que não podemos ferir as outras pessoas, mesmo que não tenhamos lido na Bíblia que devemos tratar os outros da forma como gostaríamos de ser tratados.