22 de setembro de 2022

ar

 compromisso tem a ver com fascínio

fascínio de olhar com cuidado, amor, interesse e paixão

paixão é o que sinto por vc nesse momento, e umas xícaras de amor também

aquele dia em que vc disse que me amava pela primeira vez me deixou boquiaberta e 

não consegui dizer uma palavra sequer, te abracei suavemente e com muito carinho 

passamos pela nossa primeira estação: um inverno seco e árido, típico das terras daqui

e compartilhamos tempo, risadas, choros, silêncios, famílias, telas, prazeres

depois que começa não para...

22 de outubro de 2020

Qual é a cor da subjetividade?

Qual é a cor do inconsciente?

O que faz tornar um corpo ser cientista?

Que psicologia é essa que construímos?

A dor tem cor?

O que estamos chamando de saúde mental?

Quem precisa ser tratado/a, medicalizado/a, contido/a e preto/a?

Como sobreviver em uma sociedade que não nos vê como seres humanos?

enquanto não recordamos, apenas ficaremos nessa repetição, fixaremos apenas em um presente, repetindo os mesmos erros do passado, será que de fato estamos próximos de um processo de elaboração, de transformação social, ou será que estamos mais próximos apenas de uma recordação, de uma denúncia ou uma nota de repúdio?

quanto de nós fomos e somos silenciados?

paulo vitor


A palavra também é uma prática

A linguagem constrói vidas


impactos na subjetividade: sentimento de não pertencimento, inadequação, 

"não é a minha cor de pele que me faz adoecer, não é minha orientação sexual que me faz adoecer, pelo contrário, é essa estrutura que vai demarcando, que vai produzindo vidas em uma condição desumanizada. racismo é como se fosse uma autoimagem turva que vai prejudicando a capacidade mais fundamental que é a do amor próprio" 

https://www.youtube.com/watch?v=D7Xo7YLiLVA



4 de setembro de 2020

 Apesar das preocupações e da luta contra a discriminação racial serem fundamentais para uma sociedade mais justa e humana, a Psicologia pouco se debruçou sobre a questão das relações raciais no Brasil. Nos currículos dos cursos de psicologia brasileiros, raramente encontramos qualquer menção ao tema da raça e do racismo nas disciplinas obrigatórias. A formação de psicólogos ainda está centrada na ideia de um desenvolvimento do psiquismo humano igual entre os diferentes grupos racializados. Assim como as categorias de classe e de gênero são fundamentais na constituição do psiquismo humano, a categoria raça é um dos fatores que constitui, diferencia, hierarquiza e localiza os sujeitos em nossa sociedade.

Schucman, 2014.


http://dx.doi.org/10.1590/S0102-71822014000100010 

23 de abril de 2020

O amor é uma coisa muito delicada, Paulo. E a convivência corrompe a delicadeza, sabe? Depois, será que é possível amar muitas pessoas na vida? Eu acho que não. Não sei. O que que cê acha?

Stella de Todas as mulheres do mundo

1 de abril de 2020

madrugada

sabe quando você está procurando alguma coisa mas não sabe o que é?
você olha as opções, fala não para todas elas e continua nessa busca incessante por algo que você não sabe ao certo o que é, só que está aí em algum lugar, na busca por ser encontrado. 
em meio a infinidade de possibilidades há aquela em que momentaneamente fisgará minha atenção, e nos outros momentos? o que há de ficar e o que há de ir embora? 

também sinto esse vazio, que está e se preenche todos os dias e ao mesmo tempo se esvai. a vida começa e termina, as pessoas ficam e vão, elas se mexem por todos os lados, se identificam, se constrangem, se posicionam e atuam.

as máscaras duram o tempo que tem de durar. elas se movimentam nos espaços, tempos, impasses, nas cartas, 
incertezas e palavras.

ando por aí querendo te encontrar
em cada esquina paro em cada olhar
deixo a tristeza e 
trago a esperança em teu lugar

que o nosso amor para sempre viva
minha dádiva
quero poder jurar que essa paixão jamais será palavras, apenas, palavras pequenas
palavras ao vento

essa dor invasiva e cardíaca acelera meus pensamentos, esse tempo me faz olhar com outros olhos, essa conversa soa como papo furado.

onde está a profundidade?

me bateu uma vontade de analisar qualitativamente nossas conversas, copiar e colar num documento word e ver a nuvem de palavras. vou fazer isso agora.

tem dias que estou analítica num nível voraz como se fosse achar as respostas para as perguntas que me perseguem.


25 de março de 2019

não sei

Ah, essa incerteza de viver! Estou em uma corda bamba ao me caminhar a você?
Que dificuldade de iniciar, como queria saber organizar esses pensamentos e sentimentos que fluem para lá e para cá. Querido coração poderia bater mais gentilmente? Quantas dúvidas estão a me rodear, tento manter meu planejamento para o futuro, tento pensar que o que faço hoje será de importância em breve. Mas paro e fico a pensar sobre nós, sobre como os padrões se repetem, sobre qual seria o modo de superá-los. Juntei Skinner e Nietzsche no mesmo balaio, o que estou fazendo? Quais linguagens? quais linguagens esse sentimento é capaz de entender e se libertar?

22 de fevereiro de 2019

O desencanto

Passar no vestibular, fazer novas amizades, mudar de cidade, ter mais autonomia, ter o sentimento do mundo, estar no melhor momento da sua vida e descobrir gradualmente que você não está o fazendo o curso que realmente move seu coração. Muitos fatores podem ser determinantes para que você se sinta como um peixe fora d'água, desde imagem errada de como seria o curso até sucessão de notas ruins. Contudo, se o desencanto permanece, há de se fazer uma escolha importante: mudar.

19 de agosto de 2018

Hoje senti uma coisa que precisa ser relatada aqui. Estava eu na casa de amigas, sentada no sofá, quando olhei ao redor e tive a sensação de que outras eu já estiveram naquele local, não exatamente a condição geográfica ou física, mas em Renita de outros tempos que estão comigo, lembrei de minhas reminiscências da infância e trouxe a imagem de minha irmã, figura importante da minha vida até os 6 anos. Com ela vem sua extroversão, e minha introversão?

5 de agosto de 2018

Se fosse pra você investir agora na sua melhor versão no futuro, onde você investiria o seu tempo e a sua energia?

Robert Waldinger

29 de abril de 2018

Não deixe sua côr passar em branco

ANO IV - Nº 19

JUNHO e JUNHO/90

MAIORIA FALANTE - Um serviço de combate ao racismo e à discriminação

Não deixe sua côr passar em branco

              Rio - O Censo Geral de 1980 realizado no Brasil, demonstrou que somente 5,8% da população declarou-se preta, isto contra 38,6% do total de brasileiros que se autodeclararam pardos. Dentre as causas verificadas para este fenômeno está, com certeza, a "ideologia do embranquecimento", implementada pelos mecanismos sociais, políticos, religiosos e econômicos do país, que propagam o racismo como instrumento de dominação, fazendo crer, através das mídias de massas, que o preto, ou as pessoas de origem africana, deve buscar a identidade, ou a ascendência próxima ao "branco", como foram a de expressar a sua existência e dimensão humana, na nossa tão desgraçada e empobrecida sociedade. 
             Ao longo da década passada, demonstrou-se, cientificamente, que se acentua a tendência à auto-negação, sendo que uma das pesquisas registrou mais de 130 declarações de cores diferentes entre os entrevistados, numa das mais complexas situações de fuga de uma população, da sua perspectiva de ser social, de elemento cultural e de indivíduo enquanto parte do tônus de uma Nação.
Com o objeto de interferir e de alterar esse quadro, organizações civis (IBASE, IPCN, APN, ISER, Nùcleo da Cor/IFCS, CEAP, CEAA, IPDH, CERNE e Jornal MAIORIA FALANTE, com o apoio da Fundação Ford) vêm se reunindo desde janeiro e desenvolveram a Campanha do Censo 90: "NÃO DEIXE A SUA COR PASSAR EM BRANCO - USE O BOM C/SENSO"; com lançamento nacional no dia 30 de julho, tendo continuidade durante os meses de realização do Censo Geral de 1990.
          A sua participação e de sua entidade são por demais importantes. Solicite os cartazes e outras informações, por carta ou telefone, diretamente ao Jornal MAIORIA FALANTE. 

25 de outubro de 2017

Paralelos: Visitando Sr Green/Olhos Azuis/Uma lição de discriminação

Queria fazer um paralelo de Visitando o Sr. Green com os documentários Olhos Azuis e Uma lição de discriminação. As três obras, embora em linguagens distintas - a primeira teatral enquanto a segunda e a terceira documental – retratam sobre um tema em comum: a discriminação. Separar seres humanos de acordo com características arbitrárias como orientação sexual, cor dos olhos, altura, cor da pele, gênero etc faz algum sentido para você? Bom, num primeiro momento, segregar pessoas por conta da cor dos olhos e da altura delas pode não trazer nenhuma lembrança a sua mente, contudo, e quanto a segregação baseada na cor da pele? E na orientação sexual? E no gênero? 

As primeiras teorias raciais ditas científicas datam do século XIX. Nesse contexto, a ciência ganha notoriedade na busca de se achar respostas para as perguntas primordiais: quem sou eu, onde estou e para onde vou. A divisão da humanidade em raças foi eurocêntrica, desse modo, características inferiores eram atribuídas somente aqueles não pertencentes a esse grupo. Degenerados, preguiçosos, irritadiços, teimosos, lascivos, atrasados, primitivos, exóticos, delinquentes. Esses são alguns adjetivos que """cientistas""" europeus do século XIX caracterizavam os indígenas, africanos, asiáticos e americanos.   

Quem sou? Um homem branco do século XIX - neo-imperialismo - que carrega consigo um "fardo" de levar o progresso aos povos "primitivos" e "atrasados".

Onde estou? Continente europeu do século XIX: "ciência eugênica", higiene racial, zoológicos humanos.

Para onde vou? 
"As teorias raciais apresentaram-se no século XIX como um discurso científico que buscava explicar as diferenças entre os grupos humanos, distanciando-se cada vez mais dos dogmas religiosos. Serviam como legitimadoras do imperialismo europeu, possibilitando a hierarquização da humanidade de forma que o homem branco ocupasse o topo da evolução da espécie, símbolo maior do progresso e da civilização. Essas ideias tiveram ampla difusão na sociedade europeia e não tardaram a se espalhar pelo mundo, ganhando adeptos nos Estados Unidos, Argentina, Brasil, entre outros." 





1 de agosto de 2017

28/04/2017

"Ninguém é intolerante porque quer. A intolerância nasce de um processo e justamente de uma não consciência de qual é o seu papel e de posições muito individuais."

Na última sexta, fui pela primeira vez no Sesc de São Carlos. Visitando o Sr. Green era a motivação de sair de casa naquela noite fria. Desde a animação inicial ao ver a peça na programação de abril até o momento de me sentir privilegiada por estar comprando os últimos ingressos, não sabia o quanto assistir Sérgio Mamberti e Ricardo Gelli fariam com que uma explosão dentro de mim ocorresse novamente. Esse entusiasmo é devido ao relembrar uma das minhas paixões: o teatro. Visitando o Sr. Green apresenta de modo cômico as consequências de um acidente de trânsito na vida de duas pessoas. Duas pessoas separadas por duas gerações. Duas pessoas com histórias de vida completamente diferentes. Duas pessoas que foram unidas pelo acaso ou seria sincronicidade? 
A química entre Ross e Sr. Green faz a plateia rir em diversas ocasiões, mas também a faz refletir acerca da aceitação do outro. O auge dramático ocorre por conta do desabafo de Ross: ele estava cansado de fingir ser quem não é! Ele queria poder amar sem ser censurado pela sua orientação sexual, sem que fosse motivo de piada entre seus amigos e parentes, sem que se culpasse por não atingir as expectativas alheias. As risadas iniciais provocadas pelos deboches e pelo retraimento do Sr. Green ao desabafo de Ross são gradualmente substituídas e dão lugar ao silêncio reflexivo. Estaria a plateia revendo seus conceitos?
Por vezes não enxergamos o lado do outro, a nossa miopia é alimentada por crenças preconceituosas taxadas como certas por seguirem normas religiosas, culturais ou morais. Você tem ideia de quanto sofrimento ocasiona ao rir de piadas machistas, sexistas, lgbtfóbicas? Tem noção de quantas pessoas já tiveram suas vidas arruinadas por não poderem demonstrar afeto as pessoas que amam por medo de serem reprimidas, ridicularizadas ou até mortas? O quanto alimentar o silêncio diante situações opressivas remói as pessoas aos poucos?
Link para assistir a peça na integra:
https://www.facebook.com/events/709910779187899/permalink/714871465358497/?ref=1&action_history=null

26 de julho de 2017

#5 maratonando

Minhas férias estão apenas se iniciando e já estou a todo vapor para colocar as séries em dia, ao invés de voltar a reassistir alguma ou retornar outra que não finalizei, estou apostando em coisas novas, entrei na vibe psique com Psi e terminei cara gente branca, a qual está me colocando em um buraco que quanto mais eu cavo, mais parece ter o que cavar, essa metáfora apenas quer dizer que estou me inteirando cada vez mais sobre o racismo, fazendo relações, analogias, comparações e expandindo meu horizonte, me abismando com o quanto discursos racistas são reproduzidos a todo momento e como alguns deles já são naturalizados, passa na minha mente diversos momentos em que ouvi da boca de pessoas próximas falas racistas e atitudes do mesmo tipo, a vez que estava com minha amiga branca na rua a noite e íamos em direção ao apartamento de amigos e ela parou na rua ao ver um grupo de homens negros - os quais ainda acho que nem notaram nossa presença do outro lado da rua -do outro lado da rua e fazia cara de brava para espantá-los e dizia que assim eles não viriam mexer/assaltar a gente, essa mesma amiga foi em um show de uma famosa cantora negra e disse que a cantora pessoalmente era muito feia, tinha traços marcados/exagerados e embora se esforçasse pra ser bonita, jamais o seria, o pai dessa amiga se mostrou homofóbico ao relatar repugnância pela união de um sobrinho com outro homem, a mãe dela, certamente, já foi traída diversas vezes e tem uma relação péssima com o marido que insiste manter por aparência, insiste em aturar um mala sob o mesmo teto que a maltrata, que a ridiculariza, que diz a sua filha que se ela engordar vai ficar feia, enquanto outro amigo afirmou que uma colega negra em comum não parece ser tão inteligente como é por aparentar ser sonsa e introvertida, outro se diz preocupado com as injustiças sofridas com as pessoas negras mas quando sua amiga sofre racismo, ele não oferece nenhum suporte, meu bisavó que era negro chamava seus netos - todos negros - de corvos, minha avó esfregava o indicador no pulso ao se referir a pessoas negras, minha professora de alemão disse que os alemão gostam de pessoas negras e esfregou seu indicador no pulso em vez de falar pessoas negras, um cara que conheci na internet para treinar alemão escreveu que eu não era negra e sim morena como se negra denotasse algo ruim, coisa que era contraditório a ele, uma vez que sabia alemão tão bem quanto ele que era branco e descendente de alemães, quando eu vejo negros representados na televisão, no cinema e em todas as mídias em papéis minoritários traz a sensação de que por mais que eu me esforce nunca terei um papel de protagonismo em minha vida, quando tiro fotos com amigxs e a luminosidade está baixa e aparece quase apenas meus dentes nas fotos e elxs dizem que isso é normal e a foto está ótima e eu deveria ficar feliz pelos meus dentes brancos e saudáveis, quando entro em lojas e sou confundida com vendedoras, quando a cor da minha pele traz o estigma de sensualidade fogosa, quando eu tinha receio de ser chamada por morena por não querer ser vista como apenas um corpo, quando meu cabelo é posto em questão para ser alisado, detesto ser chamada como morena, sinto nojo quando se referem a mim desse modo principalmente com um tom de voz que conota o estigma de sensualidade, quando meu amigo debocha de minha vida amorosa, quando questionam o porquê de eu ainda não ter namorado ninguém,

23 de julho de 2017

#4 desperdiçar tempo consigo mesmo

A graduação tem consumido meu tempo, minha motivação, minha vontade de estudar, meu ócio favorito: ler. Atualmente estou oficialmente de férias, o que isso significa? Que posso dormir quantas horas quiser sem me sentir uma inútil? Que posso assistir todas as séries e filmes que gostaria de assistir mas não tinha tempo? Que vou repensar as merdas que fiz nesse primeiro semestre e fazer planos de ação para não me ferrar mais? Que vou escrever com mais frequência por aqui? Que vou passar mais tempo com a minha família? O que dá para fazer em um mês? O quão significativa essas coisas que vou fazer nesse mês serão em relação ao ano todo? Preparei uma caneca cheia de chá de camomila, pois estou me sentindo ansiosa com o futuro, com o passado e não consigo viver o presente. Minha mente me traz lembranças que queria esquecer e projeções de um futuro incerto. Um dos meus nortes sempre foi o de ter uma vida saudável, prioritariamente a psicológica. Entretanto, fiquei diante um paradoxo ao perceber o quanto esse primeiro semestre do curso de psicologia testou minha saúde psicológica de diversas maneiras. Que tipo de profissional eu vou ser dentro desse sistema? O quanto ainda vou reproduzir o conhecimento do senso comum? Em 5 anos seremos capazes de fazer relatórios da vida psicológica alheia estando a nossa aos cacos? Tenho muito mais perguntas que respostas e espero continuar assim.

12 de abril de 2017

Breve

Meu último post foi há 4 semanas! Muitas coisas aconteceram nesse tempo, visto que iniciar um curso superior em uma universidade pública possibilita o engrandecimento de possibilidades. Tudo isso envolto de uma diversidade jamais vista por mim. Sinto-me privilegiada por estar onde estou, embora ainda não tenha a dimensão certa do quanto essa experiência pode mudar toda minha trajetória. Por ora tenho apenas alguns minutos para escrever, desse modo, concluo minhas breves considerações. Entretanto, há de se muito a relatar sobre.

17 de março de 2017

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

Amanhã será um dia super esperado! Lembro que já senti algo parecido, mas agora a dimensão é bem maior. Hoje estou com o pé no chão, compreendo que não será um mar de rosas, é o início de diversas mudanças boas e ruins. Voltar a ter a sensação de liberdade sem fronteiras me trará alegria e responsabilidade. Estamos todos condenados a ser livres e quando não se mora mais com os pais, a condenação parece maior. Essa semana foi uma mistura de tristeza pelas perdas familiares e animação pelo novo mundo que se abrirá diante de mim em poucos dias. Escolher fazer seu próprio destino é doloroso, requer esforço, força de vontade, ânimo firme! Tornar-te aquilo que és provoca ferimentos que  só podem ser curados por nós mesmos.

"Agora eu quero ir pra me reconhecer de volta

Pra me reaprender e me apreender de novo"




Vou-me embora pra São Carlos

17 de fevereiro de 2017

#desafio 1: redes sociais

Após ler a postagem de Leandro Karnal, veio-me a mente o quanto estou desperdiçando meu tempo com as redes sociais em paralelo diminuindo minha capacidade de concentração em leitura mais profundas. Assim, tive um insight que deixo aqui registrado: que tal diminuir/não entrar nas redes sociais durante um período de minha graduação? que tal encontrar outros modos de aliviar o stress cotidiano? que tal voltar-me a leitura de clássicos?

Entendo o impacto das redes sociais nas nossas vidas, isso me assusta e vislumbra ao mesmo tempo. Ao assistir Mr. Robot percebi o quanto estamos vulneráveis ao disponibilizar nosso cotidiano, nossos pensamentos, nossas vidas em todas as esferas na internet. No entanto, há de se levar em conta o quanto nós somos responsáveis pelo modo que gerenciamos nossos dados, o quanto escolhemos nos expor ou nos reservar, bem como a maneira de administrar nosso tempo no computador. Estamos usando a ferramenta ou sendo usados por ela?

Calligaris contou no Roda Viva como escrever uma coluna o fez ter uma vida mais interessante, pois assim deveria fazer algo durante a semana que fosse notável para registrar aos seus leitores. Esse é um dos meus desejos para o futuro do blog, as crônicas tem sido um meio de iniciar minhas impressões sobre determinados assuntos. A ideia primordial é ter rigor e disciplina para escrever alguma coisa com constância. Estabelecer um prazo a cumprir comigo mesma. Há meses tento isso, então gostaria de deixar essa ideia como alternativa a uma das razões de eu entrar em redes sociais: aliviar o stress.

10 de fevereiro de 2017

#3 sobre passar em uma universidade federal

Na terça-feira dessa semana fui à São Carlos fazer requerimento de matrícula. A viagem de ida-volta durou cerca de 10 horas, nesse tempo muita coisa pairou sobre minha mente. O desafio de recomeçar em uma cidade desconhecida, a alegria de poder estudar em uma das universidade mais conceituadas do Brasil juntamente com a responsabilidade que isso acarreta, bem como a vontade de querer expandir horizontes. Ano passado tive momentos de confusão, indecisão, apatia, isolamento. Crises de choro intermináveis, dores abdominais agudas, pensamentos negativos frequentes, sensibilidade a flor da pele, perda de apetite, insônia. Eu tive depressão e admitir foi doloroso. Em meio a tudo isso, decidi que deveria seguir uma meta como se fosse a última coisa que faria: a de mudar de curso, de cidade, se fosse necessário, de estado. Com um planejamento minucioso e motivação, estudei o máximo que pude, sempre respeitando meus limites e necessidade. Ainda assim, senti que não tinha dado o meu melhor no enem, contudo, gradualmente foquei nos vestibulares seguintes. Em janeiro, ao ver o resultado senti que cumpri minha meta, de modo cauteloso controlei minha expectativa e no final deu tudo certo: passei em primeiro lugar! Eu que sempre fui uma aluna mediana mais preocupada em aprender o conteúdo a tirar excelentes notas, eu que morria de tédio na adolescência por não fazer nada, eu que fui rotulada de "tímida", "quieta", "estranha" durante a escola, eu passei em primeiro lugar.

"Com grandes poderes, vem grandes responsabilidades"
Tio Ben

"O único modo de sair do fundo do poço é escalando-o"

2 de janeiro de 2017

#2 Mudar é um ato de coragem

É tão agradável começar bem um novo ciclo! Por mais que seja apenas uma formalidade, iniciar um ano também é iniciar novas metas, novos desafios, novas esperanças, novas expectativas, novas oportunidades, novas possibilidades. Há de se mudar gradualmente, pois não acredito em mudanças repentinas e pouco elaboradas. Como já bem escreveu Maquiavel, toda mudança acarreta outras mudanças, assim, é preciso gastar tempo com planejamento a fim de que o efeito dominó possibilite o maior número de mudanças positivas.
Na grande parte das vezes, sinto-me inspirada a escrever após assistir a um filme, uma série, um documentário ou algo do gênero. Também após ler um bom livro, uma reportagem ou algo do gênero. Hoje gostaria de mencionar um filme que me fez ter vontade de ser melhor, de começar um novo ciclo com coragem. Melhor impossível estreou no natal de 1997, não poderiam ter escolhido uma data mais adequada. O enredo gira em torno do escritor mal-humorado Melvin Udall que tinha uma vida bem regradinha até seu vizinho ser hospitalizado e sua garçonete preferida deixar de trabalhar por conta da saúde frágil do filho. Ter de cuidar do cachorrinho de seu vizinho foi a primeira mudança na rotina de Melvin, depois de algumas semanas já estava completamente familiarizado com o animal, para a surpresa de todos, inclusive dele mesmo. A segunda mudança provocou sentimentos novos em Melvin, cada vez mais sua vulnerabilidade se mostrava. Para o protagonista, todas essas mudanças tinham um fator agravante: ele é obsessivo-compulsivo.  Quebrar sua rotina era algo fora de questão para Melvin, contudo, aos poucos, seu comportamento foi mudando. A grande questão desse post é: mudanças são necessárias.

26 de dezembro de 2016

#1 culinária

Enquanto assistia a uma palestra de Valter Hugo Mãe, ocorreu-me a importância de se escrever sobre o cotidiano. O escritor lusitano discorreu, dentre outros assuntos, sobre um dos seus maiores erros: o de não querer ser pai quando poderia ter feito a escolha para sê-lo. A falar sobre isso, ele chamou a atenção do quanto é uma aventura a criação de filhos e um dos presentes mais valiosos que poderia se dar a eles seria uma coletânea de crônicas escritas durante esse processo. Para Mãe, escrever é algo como compreender melhor o outro para, assim, compreender a si mesmo. Confesso ter me deparado com palavras, pensamentos adiante dos meus ao assistir essa palestra, sentia a sensação de que o entendimento estava em forma de brumas ao meu redor.
Contudo, o que gostaria de guardar aqui é essa verdade: deve-se escrever para lembrar.
Dias atrás, indaguei-me sobre qual teria sido o prato que ao comer fez-me sentir prazer, gratidão, fascínio. O que comi que fez-me sentir bem? Bom, após pensar alguns minutos, cheguei a conclusão de que não havia experimentado a sensação em questão. Uma das coisas aprendidas sobre mim mesma durante esses 20 anos foi a de que não sou boa para respostas rápidas. Poucas vezes consigo juntar todo o arsenal de memórias em favor de um determinado assunto para que se possa fazer uma escolha. Eu não calo porque consinto, eu me calo para ouvir meus pensamentos, organizá-los, selecioná-los, questioná-los até chegar a uma resposta plausível. Esse procedimento é lento, é ativo. Ontem senti-me feliz por estar viva ao comer uma torrada. A epifania adentrou meu corpo todo, cada mordida naquela torrada feita de pão amanhecido regado a azeite e coberta de manjericão foi um pedaço do divino, do profano. Também é preciso lembrar do shitake, seu sabor incomparável, singular. Shoyu é um dos temperos mais completos, pra mim, o coloco em tudo e o melhor: sempre fica bom. Ímpar.
Esse ano aprendi a respeitar os alimentos, assim respeitar a mim mesma, uma vez que a escolha de um ingrediente ou outro influencia diretamente na nossa concepção de vida. Meus pilares para a adoção do vegetarianismo continuam sendo ambiental, político, estético e espiritual. Não sou capaz de descrever o quanto esse estilo de vida me permitiu viver melhor, porém ouso escrever que ele foi um dos responsáveis por me fortalecer em momentos complicados que passei esse ano. Foram dias e noites muito terríveis. Incrível como sobrevivi a eles e hoje tenho a oportunidade de relatá-los. What does not kill you, make you stronger.