19 de agosto de 2018
Hoje senti uma coisa que precisa ser relatada aqui. Estava eu na casa de amigas, sentada no sofá, quando olhei ao redor e tive a sensação de que outras eu já estiveram naquele local, não exatamente a condição geográfica ou física, mas em Renita de outros tempos que estão comigo, lembrei de minhas reminiscências da infância e trouxe a imagem de minha irmã, figura importante da minha vida até os 6 anos. Com ela vem sua extroversão, e minha introversão?
5 de agosto de 2018
29 de abril de 2018
Não deixe sua côr passar em branco
ANO IV - Nº 19
JUNHO e JUNHO/90
MAIORIA FALANTE - Um serviço de combate ao racismo e à discriminação
Não deixe sua côr passar em branco
Rio - O Censo Geral de 1980 realizado no Brasil, demonstrou que somente 5,8% da população declarou-se preta, isto contra 38,6% do total de brasileiros que se autodeclararam pardos. Dentre as causas verificadas para este fenômeno está, com certeza, a "ideologia do embranquecimento", implementada pelos mecanismos sociais, políticos, religiosos e econômicos do país, que propagam o racismo como instrumento de dominação, fazendo crer, através das mídias de massas, que o preto, ou as pessoas de origem africana, deve buscar a identidade, ou a ascendência próxima ao "branco", como foram a de expressar a sua existência e dimensão humana, na nossa tão desgraçada e empobrecida sociedade.
Ao longo da década passada, demonstrou-se, cientificamente, que se acentua a tendência à auto-negação, sendo que uma das pesquisas registrou mais de 130 declarações de cores diferentes entre os entrevistados, numa das mais complexas situações de fuga de uma população, da sua perspectiva de ser social, de elemento cultural e de indivíduo enquanto parte do tônus de uma Nação.
Com o objeto de interferir e de alterar esse quadro, organizações civis (IBASE, IPCN, APN, ISER, Nùcleo da Cor/IFCS, CEAP, CEAA, IPDH, CERNE e Jornal MAIORIA FALANTE, com o apoio da Fundação Ford) vêm se reunindo desde janeiro e desenvolveram a Campanha do Censo 90: "NÃO DEIXE A SUA COR PASSAR EM BRANCO - USE O BOM C/SENSO"; com lançamento nacional no dia 30 de julho, tendo continuidade durante os meses de realização do Censo Geral de 1990.
A sua participação e de sua entidade são por demais importantes. Solicite os cartazes e outras informações, por carta ou telefone, diretamente ao Jornal MAIORIA FALANTE.
25 de outubro de 2017
Paralelos: Visitando Sr Green/Olhos Azuis/Uma lição de discriminação
Queria fazer um paralelo de Visitando o Sr. Green com os documentários Olhos Azuis e Uma lição de discriminação. As três obras, embora em linguagens distintas - a primeira teatral enquanto a segunda e a terceira documental – retratam sobre um tema em comum: a discriminação. Separar seres humanos de acordo com características arbitrárias como orientação sexual, cor dos olhos, altura, cor da pele, gênero etc faz algum sentido para você? Bom, num primeiro momento, segregar pessoas por conta da cor dos olhos e da altura delas pode não trazer nenhuma lembrança a sua mente, contudo, e quanto a segregação baseada na cor da pele? E na orientação sexual? E no gênero?
As primeiras teorias raciais ditas científicas datam do século XIX. Nesse contexto, a ciência ganha notoriedade na busca de se achar respostas para as perguntas primordiais: quem sou eu, onde estou e para onde vou. A divisão da humanidade em raças foi eurocêntrica, desse modo, características inferiores eram atribuídas somente aqueles não pertencentes a esse grupo. Degenerados, preguiçosos, irritadiços, teimosos, lascivos, atrasados, primitivos, exóticos, delinquentes. Esses são alguns adjetivos que """cientistas""" europeus do século XIX caracterizavam os indígenas, africanos, asiáticos e americanos.
Quem sou? Um homem branco do século XIX - neo-imperialismo - que carrega consigo um "fardo" de levar o progresso aos povos "primitivos" e "atrasados".
Onde estou? Continente europeu do século XIX: "ciência eugênica", higiene racial, zoológicos humanos.
Para onde vou?
"As teorias raciais apresentaram-se no século XIX como um discurso científico que buscava explicar as diferenças entre os grupos humanos, distanciando-se cada vez mais dos dogmas religiosos. Serviam como legitimadoras do imperialismo europeu, possibilitando a hierarquização da humanidade de forma que o homem branco ocupasse o topo da evolução da espécie, símbolo maior do progresso e da civilização. Essas ideias tiveram ampla difusão na sociedade europeia e não tardaram a se espalhar pelo mundo, ganhando adeptos nos Estados Unidos, Argentina, Brasil, entre outros."
1 de agosto de 2017
28/04/2017
"Ninguém é intolerante porque quer.
A intolerância nasce de um processo e justamente de uma
não consciência de qual é o seu papel e de posições muito
individuais."
Na última sexta, fui pela
primeira vez no Sesc de São Carlos. Visitando
o Sr. Green era a motivação de sair de casa naquela noite fria. Desde a
animação inicial ao ver a peça na programação de abril até o momento de me sentir
privilegiada por estar comprando os últimos ingressos, não sabia o quanto assistir
Sérgio Mamberti e Ricardo Gelli fariam com que uma
explosão dentro de mim ocorresse novamente. Esse entusiasmo é devido ao relembrar uma
das minhas paixões: o teatro. Visitando o Sr. Green apresenta de modo cômico as consequências de um acidente de
trânsito na vida de duas pessoas. Duas pessoas separadas
por duas gerações. Duas pessoas com histórias de vida
completamente diferentes. Duas pessoas que foram unidas pelo acaso ou seria
sincronicidade?
A química entre Ross e Sr.
Green faz a plateia rir em diversas ocasiões, mas também a faz refletir acerca
da aceitação do outro. O auge dramático ocorre por conta do
desabafo de Ross: ele estava cansado de fingir ser quem não é! Ele queria poder amar
sem ser censurado pela sua orientação sexual, sem que fosse motivo de piada entre
seus amigos e parentes, sem que se culpasse por não atingir as expectativas
alheias. As risadas iniciais provocadas pelos deboches e pelo retraimento do
Sr. Green ao desabafo de Ross são gradualmente substituídas e dão lugar ao silêncio reflexivo. Estaria a
plateia revendo seus conceitos?
Por vezes não enxergamos o
lado do outro, a nossa miopia é alimentada por crenças preconceituosas
taxadas como certas por seguirem normas religiosas, culturais ou morais. Você tem ideia de quanto
sofrimento ocasiona ao rir de piadas machistas, sexistas, lgbtfóbicas? Tem noção de quantas pessoas já tiveram suas vidas
arruinadas por não poderem demonstrar afeto as pessoas que amam por
medo de serem reprimidas, ridicularizadas ou até mortas? O quanto alimentar
o silêncio diante situações opressivas remói as pessoas aos poucos?
Link para assistir a peça na integra:
https://www.facebook.com/events/709910779187899/permalink/714871465358497/?ref=1&action_history=null
Assinar:
Postagens (Atom)